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MSF saúda decisão da OMS de incluir a picada de cobra na lista de doenças tropicais negligenciadas

22/06/2017
Medida cria oportunidade para abordagem mais séria do problema; soro antiofiódico que era considerado mais eficaz a África deixou de ser fabricado
MSF saúda decisão da OMS de incluir a picada de cobra na lista de doenças tropicais negligenciadas

Foto: Alexandra Malm/MSF

A organização médico-humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) saudou hoje a inclusão da picada de cobra na lista de doenças tropicais negligenciadas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da estimativa de que picadas de cobra matem mais de 100 mil pessoas por ano – mais do que qualquer outra doença da lista -, não há quase nenhum recurso para para preveni-las e tratá-las, e o acesso à terapia antiofídica é muito limitado.

“Existe uma oportunidade de finalmente termos uma abordagem séria para picada de cobra” disse Julien Potet, assessor de políticas para doenças tropicais negligenciadas da Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais de MSF.
O suprimento de soro antiofídico continua sendo um problema nos países mais afetados. Em alguns casos, produtos que foram considerados ineficazes ainda estão sendo comercializados; em outros, antiofídicos como o Fav-Afrique, da Sanofi – que especialistas consideram muito eficaz contra diferentes espécies de cobras africanas – deixaram de ser fabricados (a Sanofi decidiu abandonar a produção do Fav-Afrique em 2014 e os últimos lotes acabaram de expirar). A OMS começou a avaliar os produtos existentes a fim de ajudar países a selecionar antiofídicos de qualidade que funcionem contra espécies locais e sejam seguros de administrar.

MSF trata mais de 2  mil vítimas de picada de cobra por ano, em países como República Centro-Africana, Etiópia, Sudão do Sul e no Oriente Médio. MSF fornece o tratamento gratuitamente em suas unidades, mas, caso seja pago, ele pode custar mais de 100 dólares, tornando-o praticamente inacessível nas áreas rurais em que vive a maioria das pessoas em risco.

Além dos problemas que envolvem o suprimento de antiofídicos, lidar com a picada de cobra passa por outros desafios, incluindo a falta de testes de diagnóstico adequados para melhorar a identificação da cobra; a ausência de treinamento sistemático e orientação clínica para os profissionais de saúde; e a falta de informações sobre o número real de casos e sua distribuição geográfica.

“Agora esperamos que os doadores e governos tomem medidas concretas para reforçar o treinamento de profissionais de saúde para tratar o envenenamento por picada de cobra, identificar os locais em que há necessidades não atendidas, cobrir parte dos custos do tratamento, reforçar a capacidade da OMS de avaliar a qualidade dos antiofídicos, e apoiar o desenvolvimento de novas ferramentas”, disse Potet.
 

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