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MSF mantém operações no Mali

05/02/2013
Mesmo em meio aos bombardeios, as equipes médicas da organização continuam tratando pacientes

Três semanas após o início das operações militares no norte do Mali, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) continua levando tratamentos essenciais à vida e cirurgias de emergência aos pacientes das regiões de Mopti, Gao, Ansando, Konna, Douentza e Timbuktu.

Oferecendo cuidados médicos vitais primários e secundários
Em Konna, região central do Mali entre os setores norte e sul, à qual MSF conseguiu acesso na última semana, as equipes já realizaram mais de 600 consultas. Os profissionais da organização instalaram-se no centro de saúde abandonado pela equipe médica local, única estrutura médica da cidade, e ali trataram quatro pacientes com ferimentos de guerra, sendo três deles crianças que se feriram após brincarem com explosivos. As crianças foram estabilizadas em Konna e depois encaminhadas para tratamento ao hospital Sevare, próximo dali.

Mais ao norte, em Douentza, MSF continua atuando no hospital da cidade. A equipe médica permaneceu no local trabalhando sem parar durante o intenso bombardeio que atingiu a cidade, conduzindo aproximadamente 450 consultas médicas por semana. Hoje, com a situação mais calma, o número de consultas semanais aumentou sensivelmente, voltado à média de 500 por semana. Os médicos também atenderam três pacientes com ferimentos à bala no dia 29 de janeiro e encaminharam um caso ao hospital de Sevare. Clínicas móveis continuam suspensas devido à confirmação da existência de minas terrestres na área. MSF também aumentou sua capacidade cirúrgica e reabasteceu seu estoque de suprimentos médicos para fortalecer a oferta de serviços médicos para a população.

Em Timbuktu, as atividades médicas seguem em andamento, principalmente aquelas voltadas para pediatria, obstetrícia, emergência e cirurgia. Nos últimos 20 dias, MSF tratou cerca de 30 pacientes no hospital de Timbuktu.
Desde janeiro, equipes médicas em campo conduziram aproximadamente 9 mil consultas médicas regulares na região. Suprimentos médicos e medicamentos também têm sido distribuídos entre os nove centros de saúde apoiados por MSF na região de Timbuktu.

MSF atua na região de Timbuktu há mais de dez meses e continua atendendo um grande número de pacientes. Em 2012, MSF conduziu 50 mil consultas médicas (cerca de um terço delas referentes a casos de malária), hospitalizou 1.600 pessoas e realizou mais de 400 operações.

Atividades em Gao
MSF está atuando em dois centros de saúde em Gao e no entorno, nas comunidades de Wabaria e Sossokoira. Atividades em uma terceira localidade, Chabaria, foram suspensas temporariamente devido a questões de segurança. Diariamente, as equipes médicas conduzem entre 60 e 65 consultas em cada um dos centros de saúde. Este volume tem se mantido estável mesmo com a intensificação dos conflitos, embora MSF tenha suspendido suas clínicas móveis, que garantiam o acesso a cuidados de saúde a pessoas que não poderiam chegar a instalações fixas.

Mais ao sul, em Ansongo, MSF está oferecendo cuidados primários e secundários, bem como cirurgia, no hospital local, além de garantir a entrega de suprimentos e medicamentos para que as equipes possam responder efetivamente a um possível afluxo de pacientes feridos.

Preocupação com os deslocados
No interior do Mali, a possível insegurança, a presença de minas terrestres, as restrições para viagens e questões de comunicação estão dificultando a avaliação do estado de saúde de pessoas deslocadas e mantêm operações humanitárias em grande escala.
 
A Organização das Nações Unidas (ONU) registrou 380 mil malineses que são deslocados internos ou estão vivendo como refugiados em países vizinhos desde o início de 2012. A agência afirma, também, que mais de 150 mil refugiados fugiram para Mauritânia, Níger, Burkina Faso e Algéria, sendo que cerca de seis mil novos refugiados foram registrados na Mauritânia, no Níger e em Burkina Faso em janeiro.
 
MSF atua em Mopti, Gao, Ansango, Konna, Douentza e Timbuktu, bem como no sul do Mali, com um programa pediátrico abrangente (cuidados preventivos e curativos primários e secundários) na região de Sikasso. A organização também leva cuidados aos refugiados malineses nos países vizinhos (Burkina Faso, Mauritânia e Níger).

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