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MSF inicia operação para combater epidemia de peste pulmonar na RDC

24/02/2005
A doença pode matar em apenas um dia após a sua manifestação, mas o controle é difícil porque pode ser transmitida pelo ar, exige o isolamento dos pacientes e ocorre numa região bastante pobre. Até agora 93 casos já foram registrados

Duas equipes de MSF foram enviadas para uma região próxima a Buta, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), para ajudar no controle de uma epidemia de peste pulmonária. Uma missão exploratória realizada entre os dias 14 e 16 de fevereiro descobriu 93 casos desta doença fatal no distrito de saúde de Dingila, que inclui Zobia, Kana e Mambenge.

Informações indicam que o epicentro do surto da epidemia fica na cidade de Zobia, a 190 km da cidade de Buta. Uma equipe de MSF vai focalizar o seu trabalho em Zobia, enquanto uma segunda equipe vai seguir as principais estradas de acesso. Esta segunda equipe irá identificar e tratar as pessoas que fugiram recentemente de Zobia por causa da violência e do medo de contrair a doença.

A doença é uma forma de peste que inicialmente ataca os pulmões. Ao mesmo tempo em que é uma doença endêmica nesta região da RDC, o atual surto parece raro pelo número de pessoas afetadas. A peste pulmonar é extremamente grave e pode ser transmitida pelo ar, por meio de tosses e espirros, e mata rapidamente. O período de incubação varia de 24 a 72 horas e as mortes por asfixia ocorrem em apenas um dia.

“A peste é causada pela bactéria Yersinia Pestis e inicialmente afeta animais selvagens como ratos”, explica Alain Decoux, Coordenador Geral de MSF na RDC. “Como a transmissão para humanos ocorre geralmente por meio de picadas de insetos, acredita-se que a forma de controlar a doença é matando toda a população de ratos. Mas na verdade isso só piora a situação, já que priva os insetos de buscarem nos ratos suas fontes de sangue, levando-os a outras alternativas, como os humanos”.

A peste pode ser facilmente curada por meio de uma única dose de antibiótico, desde que o paciente seja diagnosticado a tempo. Quebrar a corrente de transmissão é difícil já que as pessoas infectadas precisam ser isoladas durante o período em que estiverem doentes. “Fazer isso em áreas extremamente subdesenvolvidas como a região próxima a Buta é um grande desafio”, explica Alain.

Segundo o Coordenador Geral de MSF, “enquanto a peste é relativamente fácil de tratar, a natureza da região afetada torna o trabalho de MSF muito mais difícil. O fato de Zobia ser uma área de mineração de diamantes torna o nível de insegurança ainda maior. Conflitos entre grupos que querem dominar a região vêm acontecendo com freqüência, afetando não só as equipes de MSF, mas também a população local que fica bastante assustada. O resultado é que fica difícil identificar os doentes a tempo”.