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MSF inaugura projeto para combater doença do sono na República Democrática do Congo (RDC)

29/09/2004
Projeto irá testar novo medicamento que, se aprovado, será uma esperança para todos os pacientes que sofrem da doença do sono – uma doença transmitida pela mosca tsé-tsé e que atinge milhares de pessoas na África

Em agosto deste ano, MSF inaugurou um projeto para combater a doença do sono numa província do leste da República Democrática do Congo (RDC). Situado em Isangi, o projeto tem como objetivo reduzir o número de portadores da doença do sono na região de 6,8%, números atuais, para 0,1% nos próximos dois anos. Além disso, o projeto irá incluir o teste clínico de um novo medicamento que, se for aprovado, pode melhorar significativamente o tratamento para as pessoas que vivem com a doença do sono em todo o mundo.

A doença do sono, também conhecida como Tripanossomíase Africana, é causada por um parasita transmitido pelas moscas tsé-tsé infectadas por ele. É uma doença fatal, se não for tratada. “O período de incubação é de até 21 dias, e pode levar dois anos até que o parasita atinja o cérebro”, explica Mieke Steenssens, coordenador de saúde de MSF. “O sintoma clássico é que o paciente fica obsessivo durante a noite e sonolento de dia, daí o nome da doença. Muitas vezes o paciente entra em coma e morre”.

A extensão da doença na região de Isangi foi descoberta durante uma intervenção de emergência realizada por MSF em outubro de 2003. Das 3.044 pessoas testadas, 207 foram diagnosticadas positivas. A equipe também deixou armadilhas para as moscas, nas cidades, como forma de controle. Até agora 33 mil moscas ficaram presas.

O objetivo deste novo projeto será testar 100 mil pessoas em duas zonas de saúde da região de Isangi. Se as previsões sobre os índices de infecção se confirmarem, representará 5 mil pessoas necessitando tratamento.

O projeto, executado em parceria com o Ministério da Saúde do Congo, também irá oferecer uma oportunidade importante de se melhorar o tratamento para os casos mais graves da doença (quando o parasita atinge o cérebro). O principal objetivo será o teste clínico de um tratamento que é mais efetivo e bem menos perigoso para o paciente. "Isto significará que o medicamento atual, um produto à base de arsênico, que tem um índice de mortalidade de 10% e foi desenvolvido há 50 anos, sairá do mercado”, explica Mieke.

Uma dificuldade do projeto é o fato dele estar sendo desenvolvido numa área remota que só pode ser acessada após uma viagem de cinco horas de barco através do rio Congo, desde Kinshasa. “Existem muitos desafios à frente nos próximos dois anos”, conclui Mieke, “mas o potencial deste projeto é enorme, não apenas para Isangi, mas para todas as pessoas que sofrem da doença do sono no mundo”.