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MSF encerra sua intervenção em resposta a surto de febre Marburg

08/12/2017
Em um mês, três mortes foram declaradas em decorrência da doença em Uganda
MSF encerra sua intervenção em resposta a surto de febre Marburg

Foto: Natalie Roberts/MSF

As autoridades ugandenses declararam o fim do surto de febre Marburg que afetava a parte oriental do país desde outubro. MSF prestou apoio às autoridades locais, principalmente nas atividades de gestão de casos e na vigilância epidêmica. MSF, o Ministério da Saúde e seus parceiros também introduziram novas ferramentas que podem melhorar o gerenciamento de casos durante os próximos surtos de febre hemorrágica.

Uganda declarou na sexta-feira, 8 de dezembro, o fim do surto de Marburg, 42 dias depois da morte do último caso confirmado no país. No total, três mortes relacionadas à doença foram declaradas (um caso suspeito e dois casos confirmados), nos dias 25 de setembro, 13 de outubro e 26 de outubro, respectivamente, nos distritos de Kween e Kapchorwa, no leste do país.

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) interveio no final de outubro, em colaboração com o Ministério da Saúde de Uganda, e foi responsável por liderar a resposta para a gestão de casos. As equipes de MSF criaram dois centros de tratamento, com uma capacidade de 10 leitos cada, nas instalações do hospital distrital de Kapchorwa e perto do Centro de Saúde Kaproron, para assegurar capacidade e preparação adequadas para responder a uma epidemia em larga escala. Agora, esses dois centros serão desativados.


A equipe de saúde do distrito foi treinada nesses centros por uma equipe de MSF experiente em surtos de febre hemorrágica. As principais áreas de treinamento incluíram a gestão segura de casos suspeitos e confirmados, coleta de amostras de laboratório e vigilância comunitária. MSF também ajudou o Ministério da Saúde e a OMS com vigilância epidemiológica, atividades de promoção de saúde e mapeamento da saúde na comunidade durante a epidemia.
Uma ambulância de MSF com capacidade de isolamento também estava preparada.

« Esta é a primeira vez que a febre Marburg foi diagnosticada nesses distritos de Uganda, mas uma forte vigilância nacional significou que a epidemia foi notada e confirmada suficientemente cedo para permitir uma resposta colaborativa rápida e efetiva », disse a dra. Natalie Roberts, coordenadora de operações de emergência de MSF. As atividades de promoção de saúde dentro das comunidades dos distritos também foram cruciais para aumentar a compreensão sobre a doença e aumentar a aceitação para nossa atuação.

As febres hemorrágicas virais, incluindo Marburg e Ebola, são endêmicas em Uganda. O risco de surtos no futuro é alto e, portanto, é crucial que os mecanismos de vigilância e a preparação para emergências sejam mantidos.

Durante esse surto, MSF, o Ministério da Saúde e outros parceiros também apresentaram e realizaram testes em escala real de novas ferramentas, o que pode melhorar a resposta a novos surtos no futuro.

Isso incluiu um laboratório móvel, concebido para permitir o teste de amostras de alto risco, estabalecido pela União Européia. A implantação de tais dispositivos de teste pode reduzir significativamente o tempo para receber confirmação de casos suspeitos por meio de testes de sangue - o laboratório nacional está em Kampala, a 10 horas de carro.

MSF também tem apoiado o uso de medicamentos antivirais no tratamento e profilaxia de Marburg, com o objetivo de reduzir a mortalidade da doença. Felizmente, o alcance limitado do surto não exigiu o uso desses antivirais, mas as discussões regulamentares e clínicas realizadas com o Ministério da Saúde de Uganda e outros parceiros sobre seu uso devem ser úteis para melhorar o acesso a esses medicamentos em possíveis futuros surtos.

"Estamos muito interessados em continuar colaborando estreitamente com o Ministério da Saúde de Uganda, a Organização Mundial de Saúde e outros parceiros em Kampala, a fim de melhorar nossa resposta a epidemias semelhantes, sempre que necessário", acrescentou o dr. Roberts. Isso inclui a prestação de atendimento de qualidade ao paciente em casos suspeitos e confirmados e apoio à promoção de saúde nas comunidades ugandenses para ajudar na compreensão sobre essa doença".

MSF também interveio no outro lado da fronteira, no Quênia, para realizar rastreamento de contatos, treinamento de pessoal de saúde e criação de um pequeno centro de tratamento, que felizmente não foi usado, já que nenhum caso foi declarado no país.

MSF atuou em Uganda pela primeira vez em 1980. Hoje, a organização humanitária internacional mantém programas de emergência para ajudar os refugiados sul-sudaneses no norte do país, bem como programas de longo prazo nos distritos de Arua e Kasese. Aqui, concentra-se no HIV, na tuberculose, na malária e em outras doenças infecciosas, bem como no acesso à saúde para populações com necessidades específicas (adolescentes, comunidades de pescadores, profissionais do sexo, entre outros).
 

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