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MSF encerra projeto urbano em Joanesburgo

05/04/2013
Atualmente, mais imigrantes têm acesso regular a cuidados médicos na cidade; MSF mantém projetos médico-humanitários em outras áreas da África do Sul e região

Cinco anos depois de a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) inaugurar um projeto de emergência voltado para imigrantes zimbabuanos no centro da cidade de Joanesburgo, ele foi encerrado no final de março de 2013. Embora os imigrantes constituam, ainda, um grupo vulnerável, o acesso regular a cuidados de saúde melhorou consideravelmente desde o início do projeto, de acordo com MSF, que continua a oferecer cuidados para HIV e tuberculose (TB) em outras regiões do país.
 
Entre 2007 e 2009, um grande número de zimbabuanos escaparam da situação precária em seu país e buscaram refúgio na região central de Joanesburgo. Naquela época, imigrantes tinham dificuldade de acessar serviços de saúde e foram vítimas do surto de violência xenófoba de 2008. As pessoas tinham medo de ir a clínicas e as instalações de saúde não estavam preparadas para recebê-las. MSF deu início a um projeto de assistência a esses imigrantes no final de 2007, provendo cuidados médicos e, também, acompanhando-os até instalações de saúde e pressionando responsáveis pelas clínicas e autoridades. Cinco anos depois, a situação mudou para melhor e mais imigrantes estão tendo acesso a serviços regulares.
 
“À medida que os objetivos iniciais do projeto foram alcançados, tomamos a difícil decisão de encerrar o projeto de Joanesburgo. Isso não quer dizer que as necessidades atuais diminuíram; as pessoas ainda vivem em condições precárias nas favelas do centro da cidade”, afirma Andrew Mews, coordenador geral de MSF na África do Sul e em Lesoto. “O acesso a um modo de vida estável e sustentável, à educação infantil nas favelas e a serviços que passam despercebidos pela maioria de nós – como água e eletricidade – ainda é um enorme problema para muitos habitantes, e não pode ser ignorado para sempre.”


MSF manterá relacionamento com líderes comunitários com quem trabalhamos no passado, incentivando-os a nos alertarem no caso de quaisquer emergências futuras, como surtos de violência ou doenças transmissíveis, como cólera ou sarampo, para as quais continuamos prontos a responder. Outras atividades médico-humanitárias de MSF voltadas para o atendimento de pessoas vivendo com HIV, TB e tuberculose multirresistente (MDR-TB) continuam em andamento por meio de projetos em Musina, Eshowe e Khayelitsha, bem como em países vizinhos, como Zimbábue, Malaui, Moçambique, Lesoto e Suazilândia.
 
No início do projeto, MSF ofereceu cuidados de saúde primária e exames em uma clínica próximo da Igreja Metodista Central de Joanesburgo (CMC). Na clínica, as equipes conduziram uma média de 2.300 consultas por mês em 2009 e 2010.
 
Posteriormente, como as principais morbidades indicaram falta de higiene e instalações sanitárias nas edificações da CMC e nosprédios das redondezas, onde milhares de imigrantes buscaram refúgio, MSF transferiu suas atividades médicas para uma estrutura móvel.
 
Desde 2011, o projeto ofereceu consultas e exames para HIV/TB, tratamento para infecções sexualmente transmissíveis e exames gerais para os habitantes de 25 prédios da região das favelas do centro da cidade. Trabalhando nesses edifícios degradados e superlotados, as equipes reconheceram que as terríveis condições de vida tiveram impacto direto na saúde dos moradores e em sua dignidade. Consequentemente, MSF trabalhou para melhorar as condições de vida e de saneamento enquanto também prestava suporte à organização das campanhas de saneamento dos próprios residentes de 2012 a 2013.


“Residentes dos prédios do centro da cidade são, ainda, um grupo vulnerável e muito tem de ser feito. O que pudemos fazer foi colocar um pequeno band-aid em uma ferida gigante”, afirma Chistophe Christin, coordenador de projeto de MSF em Joanesburgo.

MSF atua na África do Sul desde 1999, tendo sido pioneira na abordagem inovadora de modelos de tratamento integrado para HIV e TB, que buscam iniciar o tratamento, em primeira instância, na comunidade e prestar suporte à adesão de pacientes ao tratamento. As equipes médicas de MSF administram projetos de HIV/TB e TB multirresistente em Khayelitsha e Eshowe, além de oferecerem cuidados de saúde primária e suporte ao tratamento de HIV/TB para populações migrantes em Musina.