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MSF denuncia falta de proteção para vítimas de violência na RDC

04/02/2009
População está sendo sistematicamente atacada e Forças de Paz da ONU não estariam agindo para proteger os civis

Dezenas de vilas foram queimadas na República Democrática do Congo(RDC); centenas de civis foram esfaqueados ou espancados até a morte; homens,mulheres e crianças foram sequestradas. O Exército de Resistência do Senhor (LRA) continua cometendo atos violentos contra as pessoas do distrito de Haut-Uélé. A intensidade desta violência direcionada aos civis fez a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciar imediatamente as Forças de Paz da ONU, por sua inatividade com relação à proteção da população.

Mais de 50 vilas e cidades ao longo do nordeste da RDC foram submetidas aos ataques homicidas do LRA desde o dia 25 de dezembro de 2008. A maioria dos habitantes não tem escolha a não ser fugir para a selva para escapar de outros massacres.Não há ninguém para protegê-los, esperam em vão por uma assistência humanitária que não chega.

Algumas testemunhas oculares confirmam o horror desses massacres. Um sobrevivente dos ataques à cidade de Batandé, perto de Doruma, descreveu sua sensação de impotência sobre o assassinato de seus familiares:" Eles rapidamente os levaram para a mata e os executaram, sistematicamente. Ninguém foi poupado, crianças,bebês, grávidas, idosos,todos foram mortos.Mais de 60 pessoas."

" A conclusão a qual chegamos dia-a-dia no campo, é que o LRA continua sua indescritível violência contra os civis", explicou Marc Poncin, gerente operacional de MSF na RDC." Ataques futuros são prováveis,a resolução 1856 do Conselho de Segurança da ONU, do último dia 22 de dezembro, torna prioridade das Forças de Paz a segurança de civis na RDC. A Missão da ONU na República Democrática do Congo(Monuc) deve,portanto, assumir suas responsabilidades, e não pode mais ser ausente para os habitantes de Haut-Uélé enquanto eles estão sendo sistematicamente atacados."

A insegurança que reina em Haut-Uélé torna a ajuda humanitária virtualmente impossível fora da cidade de Dungu. O risco de um ataque surpresa é muito grande.

Ainda assim, as equipes médicas móveis de MSF tem, em diversas ocasiões, viajado de avião para as cidades de Faradje,Doruma e Bangadi para levar assistência médica aos feridos, só podendo ficar no terreno tempo suficiente para tratar os feridos. Isso caso eles não tivessem chegado tarde demais.

Com a taxa de mortalidade desses ataques chegando a 900, o número de sobreviventes que MSF foi capaz de tratar foi de apenas 17,todos feridos por facas.

"Em Faradje, quando nós chegamos, dois dias após os ataques, só encontramos quatro feridos", relembrou Mathieu Bichet, médico da equipe." Eles estavam tão gravemente machucados que com certeza foram deixados para morrer."

Mais de 140 pessoas foram assassinadas neste ataque.

As operações de MSF em Haut-Hélé tem base em Dungu. MSF dá atendimento emergencial e leva os feridos mais graves para o hospital de Dungu. Também suporta centros de saúde em Doruma, Bangadi, Faradje, Ngilima e Li-May. As clínicas móveis oferecem tratamento para a população deslocada nas regiões de Dungu. A equipe MSF é composta por seis profissionais internacionais e 25 congoleses.

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