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MSF conclui projeto de combate ao cólera na Somália

21/05/2012
Sanada a emergência, a organização manterá o monitoramento, mas não abrirá novos projetos até que as duas profissionais de MSF sequestradas desde outubro sejam liberadas em segurança

Equipes médicas de MSF atuaram contra um surto de cólera em Shabelle Central, na Somália, no final de março. A confirmação do primeiro surto da doença na região mobilizou a organização a inaugurar um Centro de Tratamento do Cólera (CTC) em Balcad, em Shabelle Central, no dia 28 de março. No total, foram admitidos 77 pacientes. Dois recém-nascidos morreram por conta da demora para chegar às instalações de saúde de MSF; as outras 75 pessoas foram curadas. A maioria dos afetados eram crianças com menos de cinco anos. Além de tratar os pacientes, equipes de MSF também providenciaram a cloração das fontes de água e distribuíram tabletes purificadores de água para comunidades afetadas.

Sem registrar novos casos da doença há duas semanas, o CTC foi fechado em 20 de maio. As equipes de MSF, no entanto, continuarão a monitorar a situação nas aldeias situadas no entorno de Balcad enquanto informam a população sobre métodos de prevenção para evitar a disseminação da doença.

O cólera é uma doença endêmica na região e ocorrências são registradas quase que anualmente. A bactéria que transmite a doença, chamada vibrio cholerae (vibrião colérico), cresce e se desenvolve essencialmente em meios aquáticos e por meio dos humanos. No ano passado, as equipes de MSF montaram um CTC em Balcad e admitiram mais de 150 pacientes. A desidratação é a causa mais comum de morte entre pacientes com cólera e, por isso, é essencial que pessoas com diarreia aquosa passem por uma consulta em uma unidade de saúde próxima. A ampla difusão de mensagens preventivas – como beber água propriamente fervida, lavar as mãos com sabonete regularmente e usar latrinas – contribui para evitar a expansão da doença, assim como a cloração de fontes de água e reservas contaminadas. Crianças são mais vulneráveis, e quase 50% dos pacientes correm o risco de morrer caso não sejam medicados de forma adequada a tempo.

MSF tratou o surto do cólera em Shabelle Central como uma emergência. A organização médica não aumentará sua atuação nem abrirá novas frentes de projeto no país até que as duas profissionais – Montserrat Serra e Blanca Thiebaut –, sequestradas em Dadaab e mantidas na Somália desde outubro de 2011, sejam devolvidas às suas famílias.