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MSF alerta para uma catástrofe se COVID-19 atingir campos de refugiados na Grécia

20/03/2020
Condições desumanas de vida tornam impossível a adoção de medidas preventivas
MSF alerta para uma catástrofe se COVID-19 atingir campos de refugiados na Grécia

Foto: Anna Pantelia/MSF

Condições de vida não higiênicas, combinadas com a negligência total do governo grego para dar acesso aos serviços públicos de saúde, estão preparando o terreno para possíveis surtos de qualquer doença nos campos de refugiados nas ilhas gregas. Médicos Sem Fronteiras (MSF) está alarmada com a possível disseminação da Covid-19 e estamos em contato com autoridades de saúde nacionais para coordenar ações, incluindo a promoção de informações sobre saúde no campo e a gestão de casos.

Em 9 de março de 2020, houve o primeiro caso confirmado de Covid-19 na ilha de Lesbos. Tratava-se de uma mulher grega que está agora em quarentena e vive em Plomari, uma vila a 35 quilômetros do campo de refugiados de Moria. Até 18 de março, houve 387 casos confirmados na Grécia. Nenhum caso de Covid-19 foi confirmado entre os solicitantes de asilo até agora, mas migrantes e refugiados são um dos grupos mais vulneráveis de pessoas para doenças infecciosas, pois estão expostos a múltiplos fatores de risco que facilitam a propagação de doenças como o Covid-19.

Em algumas partes do campo de Moria, há apenas uma torneira de água para cada 1.300 pessoas e não há produtos disponíveis para a higiene das mãos. Famílias de cinco ou seis pessoas precisam dormir em um espaço de 3m². Em caso de transmissão generalizada, a capacidade de resposta das estruturas de saúde locais pode ser limitada.

No fim do ano passado, MSF foi forçada mais uma vez a ampliar a prestação de serviços de saneamento em Lesbos, acrescentando 42 banheiros e 30 chuveiros na área que conhecida como Olive Grove. Apesar da assistência crucial de MSF e de outros atores, a prestação de serviços de água e saneamento não é suficiente para a população, apresentando riscos significativos à saúde e à segurança.

Quase quatro anos desde o acordo da União Europeia com a Turquia, a situação humanitária nas ilhas não melhorou, apenas piorou. MSF está pedindo a transferência imediata de solicitantes de asilo para lugares onde todas as medidas preventivas possam ser aplicadas. Os mais vulneráveis devem ser priorizados. Forçar as pessoas a viver em campos superlotados e sem higiene como parte da política de contenção da Europa sempre foi irresponsável, mas agora, devido à ameaça da Covid-19, é mais do que nunca.

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