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Médica carioca conta sobre sua experiência na Somália

18/01/2008
Maria Carolina dos Santos contará em Diário de Bordo os desafios do trabalho no país africano

Um país devastado por conflitos armados, centenas de milhares de deslocados internos, violência, fome, seca. Neste contexto, totalmente adverso, que a médica carioca Maria Carolina dos Santos, de 31 anos, está trabalhando desde novembro de 2007. A partir de hoje, ela contará em seu Diário de Bordo a rotina de sua primeira missão com Médicos Sem Fronteiras.

Há dois meses no país africano, a médica conta qual foi a sua primeira impressão ao chegar na Somália, lugar que será seu lar por nove meses. "Foi um misto de alegria por estar num lugar tão inacessível, com uma cultura tão própria e preservada e com tanto a aprender a respeito. Ao mesmo tempo, ao me deparar com tanta pobreza e falta de estrutura, me senti de fato numa região negligenciada pelo resto do mundo e onde, a partir deste primeiro instante, compreendi a importância de estar aqui", conta Maria Carolina.

As diferenças estruturais e culturais não desanimam a carioca. Ela sabe que terá que se adaptar aos hábitos da região e não vê problemas nisso. "Temos que respeitar certos protocolos com relação às roupas que vestimos durante o trabalho ou quando estamos em contato com pessoas locais. Encomendei na feira local vestidos somalis coloridos que uso por cima da calça e isso é muito apreciado pelas mulheres. Elas se identificam mais e isso é visto como respeito e interesse pela cultura somali. Para falar a verdade, eu acho muito bonito e adoro vestir-me assim!", diz.

Formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense, com especialização em Medicina Tropical, Maria Carolina sempre optou por atuar em lugares remotos. "Trabalhei por quase dois anos no Sul, em Santa Catarina, no Vale do Itajaí como médica do programa de saúde da família. Depois trabalhei como médica do distrito de saúde indígena na Amazônia, em uma região isolada e remota na floresta no Rio Negro, na fronteira da Colômbia, onde a falta de acesso e exclusão da população me chamaram atenção e me fizeram aumentar a vontade de estudar e aprender sobre maneiras de diminuir estas desigualdades".

A médica está consciente dos desafios que enfrentará durante a missão, mas se mantém firme no propósito de realizar o trabalho de forma calma, concentrada e com atenção. "O grande desafio é se adaptar às restrições como as que somos submetidos para viver aqui na Somália: toque de recolher, clausura e insegurança e, ainda assim, ser capaz de manter os olhos e espíritos abertos para não deixar passar em branco os maravilhosos momentos e o privilégio de estar em uma missão tão desafiadora e cheia de vitórias no nosso dia-a-dia!".

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