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Mar Mediterrâneo: “Eu fui agredida com socos, paus e armas”

11/11/2015
A eritreia Agnes, de 30 anos, conta sobre sua dolorosa e perigosa travessia para chegar à Europa

Foto: Gabriele François Casini/MSF

Quando fomos embora, fomos para o Sudão. Passamos três anos indo de um lugar para o outro, em busca de emprego e tentando ganhar dinheiro o suficiente para vir à Europa. Finalmente, juntamos um pouco de dinheiro, mas não era o suficiente para todos nós, então eu fui embora com a minha filha. Meu marido não pôde vir conosco.

Atravessar o deserto entre o Sudão e a Líbia foi muito difícil. Levou sete dias, sem parar, em um carro superlotado.

Depois de cruzar a fronteira, nós fomos de uma cidade para outra até chegar a Tripoli. Nós viajamos em contêineres, como animais ou objetos. Era muito escuro e quente nos contêineres. Muitas pessoas desmaiavam por causa do calor, e algumas até morreram.

A Líbia é um lugar muito perigoso. Há muitas pessoas armadas. Muitas delas são do grupo extremista conhecido como Da’esh (Estado Islâmico). Eles matam muitas pessoas e realizam uma série de sequestros.

Quando chegamos a Tripoli, eles nos colocaram em uma casa com 600 ou 700 outras pessoas e nos trancaram ali. Não tínhamos água para tomar banho, tínhamos muito pouca comida e fomos forçados a dormir um em cima do outro. Foi muito difícil para a minha filha – ela ficou doente várias vezes.

Havia muita violência. Eu fui agredida com socos, paus e armas. Se você se movesse, eles te batiam. Se você falasse, eles te batiam. Nós passamos dois meses assim, sofrendo agressões todos os dias.

Eles pediram que pagássemos para ir à Europa, então eu paguei US$ 1.700,00 para mim e para a minha filha. Nós tivemos sorte porque mulheres e crianças eram colocadas no convés superior do barco. As pessoas lá embaixo estavam no escuro e era muito quente ali. Eu podia ouvir alguns deles dizendo que não conseguiam respirar.

Eu sabia que a travessia seria bem perigosa e difícil, especialmente para a minha filha. Mas qual era a alternativa? Nós não poderíamos sobreviver na Eritreia ou no Sudão. Nosso governo não permite que pessoas deixem o país. Com os nossos documentos sendo da Eritreia, não havia outra maneira de irmos à Europa.”

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