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Malakal, Sudão do Sul: MSF trata 73 feridos por confrontos

19/02/2016
Vítimas foram atendidas no complexo de Proteção de Civis após a eclosão de novos confrontos na quinta-feira (18/02)

Foto: Anna Surinyach/MSF

Equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Malakal, no Sudão do Sul, trabalharam durante toda a noite para lidar com os novos pacientes feridos após a eclosão de confrontos no complexo de Proteção de Civis (PoC, na sigla em inglês) na quinta-feira (18/02), que levaram à morte de 18 pessoas; duas delas profissionais sul-sudaneses de MSF. Setenta e três pacientes foram recebidos no hospital até o momento; 46 deles com ferimentos a bala.

Os confrontos se acalmaram significativamente desde a noite passada, apesar de ter havido alguns tiros durante a noite. Depois de suspender temporariamente as atividades no hospital devido aos combates, a equipe de MSF pode voltar e continuar trabalhando. Duas clínicas do complexo pertencentes a outras organizações humanitárias foram destruídas.
Uma das maiores preocupações de MSF é o destino de 43 mil deslocados internos que se abrigaram no complexo da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS, na sigla em inglês). Eles foram espremidos em uma área muito apertada, e o acesso à água e ao saneamento é uma preocupação real. MSF não sabe por quanto tempo eles serão autorizados a permanecer na instalação.

“Depois de mais de dois anos de conflito, o único sistema desenvolvido pela ONU para proteger as populações vulneráveis no Sudão do Sul foi a criação das áreas de Proteção de Civis”, disse Johanna Van Peteghem, gerente adjunta do Programa Regional para MSF. “É claro que este sistema é insuficiente, uma vez que protege apenas um pequeno número da população em risco. Estamos muito preocupados com as condições do complexo de Proteção de Civis em Malakal e com o destino daqueles que fugiram do local sem qualquer proteção real. Os PoCs estão sendo apresentados como as únicas soluções existentes, deixando o restante do país abandonado e dependente de seus próprios dispositivos”.

As pessoas têm sido abrigadas no complexo de Proteção de Civis em Malakal desde que o conflito eclodiu em dezembro de 2013. A população do local mais do que dobrou no ano passado, após um influxo 10 mil pessoas deslocadas em abril e mais 16 mil de julho para agosto.

MSF administra um hospital de 50 leitos em Malakal, incluindo uma sala de emergência 24 horas, bem como uma sala de emergência separada no PoC. MSF atua na região que hoje constitui a República do Sudão do Sul desde 1983. Atualmente, emprega mais de 2.937 profissionais sul-sudaneses e 329 internacionais para responder a uma ampla gama de emergências médicas e oferecer cuidados de saúde gratuitos e de alta qualidade em 18 projetos em sete dos 10 estados do país, e na Área Administrativa Especial de Abyei.
 

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