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Longe da nossa vista, mas não longe dos nossos pensamentos

24/04/2020
Resposta de MSF à COVID-19 em casas de repouso
Longe da nossa vista, mas não longe dos nossos pensamentos

Foto: Olmo Calvo/MSF

Não se pode dizer que a pandemia de COVID-19 passou despercebida à medida que se espalhava ao redor do mundo. Mas, nos lugares mais atingidos, o novo coronavírus chegou silenciosamente a todas as camadas do tecido social. E teve um impacto mais expressivo nos lares de idosos, que precisam de um nível de atendimento mais especializado.

Os hospitais estão atendendo pacientes em estágios críticos da doença e Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi rápida em oferecer suporte técnico a eles, com base em seus anos de experiência na resposta a epidemias. Mas cidades, vilarejos, ruas, mercados, lojas, bares e casas são onde a pandemia também deve ser combatida. Rapidamente, à medida que a natureza da doença se desenvolvia, os lares de idosos se tornaram um foco na atuação de MSF na Bélgica, França, Itália, Portugal, Espanha e Suíça. Em alguns lares em que oferecemos assistência, um em cada três moradores morreu – uma taxa de mortalidade que seria chocante em qualquer crise.

Porquê proteger e apoiar profissionais nos lares de idosos é tão vital

Os lares de idosos não são hospitais e, inevitavelmente, carecem da preparação médica necessária para enfrentar uma pandemia. Reconhecendo a complexidade dessa situação extraordinária, na experiência de MSF, vários fatores levaram à devastação causada pela COVID-19 nessas comunidades: a vulnerabilidade dos moradores – idosos, frequentemente frágeis, e que precisam de assistência para realizar suas atividades diárias; pouca preparação para surtos epidêmicos; pouca ou nenhuma vigilância epidemiológica; prevenção e controle inadequados de infecções; aumento da carga de trabalho da equipe, juntamente com a diminuição do número de funcionários, porque pessoas estão adoecendo ou precisam se autoisolar; e isolamento inadequado de residentes infectados pela COVID-19. As equipes de MSF invariavelmente se depararam com profissionais que estão se esforçando ao máximo, mas que não têm os recursos, o treinamento e o suporte técnico específicos de que precisam. Todos esses fatores resultaram em uma qualidade insuficiente de atendimento, o que, por sua vez, influenciou o aumento do número de pacientes com COVID-19.

A profundidade do sofrimento psicológico dos moradores das casas de repouso afetadas pela COVID-19 também é enorme, assim como a necessidade de atenção específica aos cuidados paliativos e formas de permitir a interação humana entre famílias e residentes doentes nos últimos dias de vida. "Muitas pessoas estão morrendo sozinhas, assustadas e em péssimo estado", diz Ximena di Lollo, que coordena a resposta de MSF à COVID-19 em casas de repouso na Espanha e em Portugal. “As pessoas foram separadas de suas famílias e enfrentaram o fim de suas vidas sem apoio e quase nenhum contato humano. Isto é totalmente inaceitável. Ninguém deveria morrer assim."

Muitas pessoas morreram sozinhas

É muito incomum que MSF inicie atividades médico-humanitárias em larga escala em países com mais recursos na Europa. Mas este momento se encaixa inteiramente no que MSF faz em todo o mundo – nós buscamos onde está a maior vulnerabilidade e tentamos descobrir a melhor forma de ajudar. A vulnerabilidade quádrupla nos lares – onde as pessoas são idosas (grupo de risco), frágeis, precisam de cuidados e levam uma vida comunitária – colocou-os na vanguarda da luta de MSF em resposta à COVID-19.

Na Bélgica, França, Itália, Portugal, Espanha e Suíça, MSF prestou assistência a mais de 300 casas de repouso. Mais de mil gerentes e funcionários das casas participaram de seminários online organizados por MSF para compartilhar conhecimento e experiência sobre maneiras de continuar a prestar o melhor atendimento possível de forma segura e que maximizem o a proteção aos residentes.

"Como sociedade, precisaremos refletir por que a prioridade nessa pandemia tem sido hospitais e outras instalações médicas e por que apenas uma fração de atenção foi dedicada aos mais vulneráveis", diz a médica di Lollo. "Isso precisará mudar."

MSF continuará sua abordagem de buscar os grupos de pessoas mais vulneráveis e avaliar a melhor forma de responder à pandemia. Outros projetos nos países da União Europeia (UE) estão atendendo às necessidades de pessoas em situação de rua, solicitantes de asilo e migrantes sem documentação, detidos ou presos. As equipes de MSF também estão preparando todos os projetos nos mais 70 países onde atuam para responderem à COVID-19, à medida que a pandemia se espalha pelo mundo, e começaram a cuidar de pacientes de COVID-19 na África, Ásia Central e América Latina. Como na UE, as equipes de MSF terão como princípios norteadores de sua atuação onde estão as maiores necessidades e a maior vulnerabilidade.

 

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