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Líbia: refugiados e migrantes presos em Trípoli são feridos em tiroteio

26/04/2019
O tempo está se esgotando para migrantes e refugiados indefesos. Fazemos um apelo à comunidade internacional para a evacuação imediata dessas pessoas para fora do país
Líbia: refugiados e migrantes presos em Trípoli são feridos em tiroteio

Foto: Sara Creta

Refugiados e migrantes presos no centro de detenção Qasr Bin Gashir, em Trípoli, na Líbia, foram baleados e feridos por um tiroteio brutal, de acordo com evidências analisadas pela organização médico-humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF). MSF e outras agências humanitárias estão alertando há mais de duas semanas sobre o perigo que cerca de 3 mil migrantes e refugiados presos nos centros de detenção em Trípoli e em seu entorno estão correndo, de modo que este incidente poderia ter sido totalmente evitado se essas pessoas tivessem sido evacuadas para fora do país.

“A comunidade internacional é a única culpada por sua completa e absoluta inação. Hoje, MSF está novamente pedindo a evacuação urgente e imediata de migrantes e refugiados para fora do país. Até que isso aconteça, eles continuam expostos a ataques ou ao fogo cruzado”, afirma Karline Kleijer, coordenadora das operações de emergência de MSF.

Em 23 de abril, surgiram relatos de um incidente violento no centro de detenção Qasr Bin Gashir, onde mais de 700 homens, mulheres e crianças desarmados estavam presos. No entanto, versões conflitantes por parte tanto da mídia quanto de agências humanitárias em campo não conseguiram fornecer uma visão clara do que de fato aconteceu e da extensão dos ferimentos. De acordo com relatos diversos, houve várias mortes e pelo menos 12 feridos. Embora nem todos os detalhes do incidente possam ser confirmados, uma análise das evidências feita por médicos de MSF concluiu que as lesões mostradas em fotos e vídeos são consistentes com ferimentos a bala. Estas impressões são reforçadas por relatos de refugiados e migrantes que testemunharam o evento e contaram terem sido atacados de forma brutal e indiscriminada, com o uso de armas de fogo.

“Dizer que ficamos indignados é um eufemismo”, diz Kleijer. “Nada justifica um ataque tão violento a civis que estão presos em uma zona de conflito de maneira extremamente vulnerável. Uma simples condenação da violência contra migrantes e refugiados não tem sentido a menos que a comunidade internacional tome medidas imediatas para evacuar os milhares de detidos que ainda estão em Trípoli.”

As operações de transferência de emergência que ocorreram nos dias 24 e 25 de abril levaram a população de Qasr Bin Gashir para o centro de detenção de Zawiya. Durante sua resposta ao incidente em Qasr Bin Gashir, MSF transferiu 30 pessoas da área atingida, incluindo 12 crianças, no dia 24 de abril. O restante da população foi transferido por outras agências humanitárias. Apesar de, neste momento, não estarem nas proximidades dos atuais combates, as pessoas ainda estão sujeitas a condições perigosas e degradantes por causa das rápidas mudanças na dinâmica dos conflitos, que continuam a representar uma ameaça para todas as pessoas em centros de detenção em Trípoli e seus arredores.

“Sentir o medo e o desespero nos gritos das mulheres que aparecem nos vídeos é de partir o coração. Havia bebês, crianças e várias mulheres grávidas que passaram por esse evento traumático”, diz Hassiba Hadj-Sahraoui, especialista em assuntos humanitários sobre a Líbia e as operações de busca e salvamento no Mediterrâneo. “Muitas dessas pessoas já passaram por isso antes, inclusive várias vezes depois de terem sido interceptadas no mar e trazidas de volta à Líbia. Essa violência sem sentido poderia ter sido evitada se os pedidos de evacuação para fora da Líbia, feitos há duas semanas, tivessem sido atendidos.”

MSF continua extremamente preocupada com todos os civis expostos aos combates, enquanto bombardeios e ataques aéreos pesados e indiscriminados continuam em áreas densamente povoadas de Trípoli. Desde que os confrontos começaram, a Organização Mundial da Saúde registrou 296 mortes, incluindo 21 civis, e 1.441 feridos. Mais de 35 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas, segundo a Organização Internacional para Migração.

MSF pede que todas as partes do conflito respeitem as leis internacionais humanitárias e adotem todos os meios necessários para garantir a proteção de civis e infra-estrutura civil, e que equipes médicas e humanitárias possam fornecer assistência médica essencial a todos os que precisam de ajuda em ambos os lados das frentes de batalha.

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