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Líbano: tratando as pessoas afetadas pela violência

02/02/2012
Diretor geral de MSF em Genebra fala sobre o trabalho de MSF na área.

Médicos Sem Fronteiras oferece cuidados de saúde mental em dois acampamentos de refugiados no Líbano, atendendo refugiados palestinos e grupos de libaneses vulneráveis, há três anos. Recentemente, MSF iniciou um novo projeto no norte do país, em resposta à chegada de 4,5 mil pessoas que saíram da Síria, fugindo dos violentos conflitos. Bruno Jochum, diretor geral de MSF em Genebra, acaba de voltar da região e fala sobre o trabalho de MSF na área.

Qual o motivo da sua visita ao Líbano?

Em 1976, Médicos Sem Fronteiras realizou sua primeira missão em um contexto de guerra, no Líbano. Acabamos de celebrar nosso 40° aniversário, e sentimos que era essencial divulgar ainda mais nossos princípios de independência médica e financeira, imparcialidade e neutralidade. Minha ida ao Líbano foi uma oportunidade de reafirmar, para as autoridades e para a população da região, que MSF está sempre pronta para oferecer assistência médica independente, neutra e imparcial em situações em que ajuda humanitária é necessária.

Por que MSF está atuando no Líbano?

Após a resposta inicial de emergência ao conflito entre Israel e o Hezbollah, em 2006, MSF observou que a oferta de cuidados de saúde mental era muito pequena, o que é muito preocupante em contextos como esse.

MSF deu início a uma série de programas de saúde mental para palestinos e libaneses que vivem dentro e nos arredores dos dois maiores acampamentos de refugiados do Líbano: Burj el-Barajneh, em Beirute, e Ein el-Hilweh, em Saida. Nos últimos três anos, mais de 2,2 mil pacientes se beneficiaram da assistência psicológica gratuita oferecida pelas equipes de MSF, por meio de projetos com abordagens multidisciplinares e comunitárias. Ao todo, mais de 15,5 mil consultas psicológicas e psiquiátricas foram realizadas.

Por que MSF decidiu iniciar um projeto no norte do Líbano?

Recentemente, após a chegada de milhares de sírios que fugiram da violência em seu país e buscaram refúgio no Líbano - muitos com ferimentos graves -, nós enviamos equipes médicas para avaliar a condição de saúde dessas pessoas. Isso resultou em um novo programa em Wadi kaleh, no norte do Líbano, que teve início em 2011. Nós atuamos no Líbano há três anos, o que nos possibilitou monitorar de perto a situação dos sírios que chegavam ao país.

O apoio que oferecemos hoje é limitado. Nossa primeira medida foi oferecer suprimentos de emergência para centros de saúde próximos da fronteira com a Síria. Além dos cuidados de saúde mental, MSF está aumentando sua capacidade operacional na região para responder a quaisquer novos e significativos fluxos de sírios que fogem de seu país. Estamos reforçando nossa vigilância epidemiológica, realizando campanhas de vacinação, tratando pacientes com doenças crônicas, fornecendo equipamentos médicos e avaliando possíveis necessidades médicas. A presença de uma organização médica internacional independente como MSF é uma garantia de assistência neutra para as pessoas que chegam da Síria.

Qual é a situação humanitária no Líbano?

A maioria dos sírios que fugiram do país e que precisam de cuidados médicos teve que deixar todos os seus pertences para trás. Mesmo que a situação no Líbano permaneça estável, é difícil prever o que vai acontecer na Síria. Como somos uma organização médico-humanitária de emergência, precisamos estar preparados para um novo fluxo massivo de pessoas na região. Nosso objetivo é garantir que, caso um grande número de sírios feridos chegue ao Líbano, eles receberão a assistência médica devida.

Qual a situação médica e humanitária na Síria?

Para MSF, é muito difícil ter uma imagem clara da situação médica na Síria, bem como da magnitude das necessidades humanitárias que precisamos responder no país.  Atualmente, a população síria está enfrentando enormes dificuldades de acesso a níveis básicos de cuidados médicos emergenciais. É fundamental que todas as partes envolvidas no conflito demonstrem o respeito à ética médica, à imparcialidade das instalações médicas, ao trabalho diário de médicos e enfermeiros e à segurança e integridade dos pacientes.

MSF continua comprometida a responder às necessidades médicas na Síria e a oferecer a assistência médica necessária para a população síria, se e quando for permitido à organização acessar o país. MSF ainda está muito preocupada com a possibilidade de as vítimas dos conflitos não estarem tendo acesso à assistência médica, e reafirma o direito dos sírios de fugir da violência e buscar refúgio e assistência médica.

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