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Levar ajuda humanitária ao sul do Líbano é quase impossível no momento

26/07/2006
O diretor de operações de MSF, Christopher Stokes, descreve por telefone de Beirute o que ele viu na viagem que fez ao sul do Líbano.

Terça-feira à noite, 25 de julho.

"Eu entrei no Líbano há três dias e fui direto para o sul para juntar-me à nossa equipe lá. Quanto mais ao sul íamos, o que víamos eram dois tipos de Líbano: o Líbano das Montanhas Shouf - que até o momento foi poupado pelo conflito mas está recebendo muitos deslocados, com dezenas de milhares de pessoas assentadas em espaços públicos e escolas – e o Líbano ao sul das montanhas, perto de onde os conflitos estão acontecendo, uma grande área a 50 ou 60 quilômetros da fronteira. Lá têm acontecido bombardeios, com bombas atingindo estradas e condomínios de apartamentos, e de onde muitas pessoas fugiram.

Você entra nestas cidades e parece que são cidades fantasma. No entanto, 30 ou 40% da população não fugiram e estão vivendo em seus apartamentos, atrás das persianas, sem sair de casa. Eles também não saem para receber atendimento médico e estão muito isolados. Eles definitivamente necessitam assistência, tanto quanto os feridos.

Ainda mais grave, nessas cidades do sul que estão sob bombardeio há deslocados que estão presos lá, vivendo nos porões, em condições ainda piores. Eles precisam de suprimentos básicos como colchões, cobertores, comida, leite em pó... Simplesmente as coisas básicas de que se necessita para viver.

Desde o final de semana, uma equipe de Médicos Sem Fronteiras está na cidade de Tiro, no sul. Um médico de MSF está ajudando uma equipe de um dos hospitais. "No hospital em Tiro eles receberam 24 feridos em um período de tempo muito curto. As pessoas da nossa equipe perceberam claramente que eles eram civis e eles tinham sido atingidos enquanto viajavam de carro não muito longe do hospital. A equipe do hospital teve dificuldades para lidar com tantas pessoas feridas.

Quero destacar que em muitos locais que recebem feridos os cirurgiões libaneses permanecem nos hospitais. Há inúmeros profissionais médicos de excelente qualidade no país. Eles continuam trabalhando mesmo nas áreas que oferecem muito risco. A principal questão é que muitos deles estão muito cansados porque, recentemente, eles vêm trabalhando arduamente. Além disso, os suprimentos, outra peça-chave para eles, estão começando a se esgotar.

O transporte destes suprimentos tão necessários é uma tarefa muito difícil, já que os caminhões que estão transportando material de ajuda humanitária não estão protegidos dos bombardeios. "Nós esperamos poder fazer mais porque estamos bastante limitados em Tiro. É muito difícil levar os suprimentos de lá para o sul. Precisamos de caminhões, precisamos poder nos deslocar. Até o momento nossas equipes estão presas, mas estamos tentando organizar o envio dos suprimentos para o sul para amanhã à tarde, usando veículos privados de pequeno porte".

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