Você está aqui

Kivu do Norte, RDC: MSF trata 65 pacientes de Ebola no primeiro mês

06/09/2018
Apesar da redução do número de casos, é preciso continuar vigilante até que o fim da epidemia seja declarado
Kivu do Norte, RDC: MSF trata 65 pacientes de Ebola no primeiro mês

Foto: Karin Huster/MSF

Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou 65 pacientes de Ebola em seu primeiro mês de resposta ao surto no Kivu do Norte, na República Democrática do Congo (RDC). Esse número representa mais de 80% do total de pacientes confirmados hospitalizados nos centros de tratamento de Ebola até o momento. Dos pacientes acolhidos no centro de tratamento de Mangina, 29 se recuperaram e voltaram para suas famílias enquanto três pacientes continuam sob tratamento.

“Estamos num ponto crucial da epidemia”, disse Berangère Guais, coordenadora de emergência de MSF em Beni. “Sim, o número de pacientes nos centros de tratamento caiu significativamente, mas novos casos, causados por diferentes cepas do vírus, surgiram nos últimos dias. Temos que continuar trabalhando na comunidade para construir confiança e assegurar que todos que apresentarem sintomas de Ebola sejam isolados e testados rapidamente. Não podemos baixar nossa guarda até que o fim da epidemia seja declarado.”

Na noite do dia 1˚ de agosto, quando foi declarada a primeira epidemia de Ebola no Kivu do Norte, equipes de MSF que trabalhavam num hospital em Lubero chegaram a Mangina, o epicentro do surto. Imediatamente, elas começaram a estruturar uma resposta contra o vírus junto ao Ministério da Saúde congolês. Nos dias seguintes, profissionais experientes de MSF chegaram de outros locais da República Democrática do Congo e do mundo para ajudar a treinar profissionais locais e trabalhar junto a eles para oferecer atendimento aos afetados pela doença e evitar que o surto se espalhasse.

“Nós sabíamos que precisávamos agir rapidamente. Quando chegamos, vimos que o centro de saúde de Mangina estava sobrecarregado. Vários profissionais locais estavam doentes e o número de pacientes aumentava a cada dia. Eles estavam fazendo seu melhor, mas as pessoas estavam amontoadas na entrada do hospital. Tivemos que fazer algo rapidamente para melhorar a situação tanto dos pacientes quanto dos profissionais”, disse Patient Kamavu, um enfermeiro experiente do Pool de Emergência do Congo de MSF, que chegou ao local no dia 3 de agosto.

No dia 6 de agosto, MSF fez melhorias nas condições de segurança da unidade de isolamento para casos suspeitos e confirmados no centro de saúde de Mangina e construiu outra ala similar dentro do Hospital Geral de Referência em Beni. Nossa equipe também começou a construção de um centro de tratamento em Mangina, com capacidade para 68 pacientes (podendo ser expandido para 74 leitos, caso haja necessidade), que foi inaugurado no dia 14 de agosto. Trinta e sete pacientes foram transferidos da unidade de isolamento em Mangina para o centro de tratamento nesse dia. A ala de isolamento em Beni foi concluída e repassada ao Ministério da Saúde, que se comprometeu a gerenciá-la junto a outra ONG.

“Concentramos esforços no atendimento aos pacientes enquanto nossos logísticos e especialistas em água e saneamento trabalhavam dia e noite para concluir a construção do centro de tratamento, que poderia acomodar os pacientes de forma segura”, disse Patient. “Foi incrível, nós visitávamos o lugar e no dia seguinte já era possível ver um hospital completamente diferente”.

MSF também estruturou um centro de triagem de sete leitos em Makeke (na fronteira do Kivu do Norte com Ituri), no dia 28 de agosto, como uma medida temporária, por causa do número de casos na região e da resistência da comunidade em buscar tratamento em Mangina, enquanto outra organização construía um centro de tratamento. Agora, os pacientes suspeitos podem ser isolados e testados para o Ebola mais perto de suas casas e só serão transferidos para um dos centros de tratamento caso sejam o teste dê positvo.

Durante esta epidemia de Ebola, MSF também pode oferecer novos tratamentos para pacientes confirmados sob um protocolo de uso compassivo. Esses tratamentos são administrados apenas com o consentimento informado do paciente (ou de um membro da família, caso a pessoa seja muito jovem ou não esteja em condições de saúde para consentir) e são oferecidos juntamente com outros cuidados (hidratação e tratamento para os sintomas do Ebola, como diarreia e vômitos ) que MSF oferece a todos os pacientes do vírus.

“É um grande alívio finalmente poder oferecer aos pacientes algo além do tratamento dos sintomas. Estatisticamente, pacientes de Ebola tem menos de 50% de chance de sobrevivência. Isso é devastador e assustador para as famílias e a comunidade”, disse Patient.

Além dos centros de tratamento de Ebola, as equipes de MSF que trabalham na área de Beni e Mangina e em Ituri, entre Mambasa e Makeke (na fronteira com Kivu do Norte), visitam centros de saúde e treinam profissionais na triagem de suspeitos de Ebola, doam material de proteção e estruturam áreas de isolamento onde os pacientes suspeitos podem ser tratados com segurança enquanto chega uma ambulância. Centros de saúde em Mangina e Beni que tiveram casos positivos também estão sendo descontaminados.

“Infelizmente, nesta epidemia, vimos pelo menos 17 profissionais de saúde infectados com o Ebola. A equipe de saúde que cuida de pacientes com doenças como malária e pneumonia, ou que auxiliam na realização de partos, deve ser protegida por um sistema de triagem adequado que identifique e isole pacientes suspeitos de Ebola antes que eles entrem no hospital. Isso não só protege os profissionais de saúde, mas também os pacientes, e impede que os centros de saúde se tornem centros de amplificação para a disseminação do vírus”, conclui Berangère Guais.

Recentemente, MSF recebeu permissão para iniciar uma campanha de vacinação para profissionais que atuam diretamente no eixo entre Makeke e Biakato.
 

Leia mais sobre