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Itália: centro de reabilitação para vítimas de tortura

14/04/2016
Instalação inaugurada por MSF em Roma atenderá sobreviventes de tortura e outras formas de tratamento desumano

Foto: Alessandro Penso

Equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Roma, na Itália, inauguraram um centro de reabilitação para sobreviventes de tortura e outras formas de tratamento desumano. O centro oferecerá assistência médica, psicológica e legal para qualquer migrante, refugiado ou solicitante de asilo que tenha sido torturado ou submetido a outras formas de violência, independentemente de seu local de origem ou seu status legal.

Refugiado desembarcando do Bourbon Argos, navio de busca e resgate de MSF, em Calabria, Itália (Foto: Francesco Zizola/NOOR)O projeto está alinhado às atividades que MSF tem realizado em Roma desde outubro de 2015, em parceria com a associação italiana Medici Contro la Tortura (Médicos Contra Tortura) e em colaboração com a Associazione per gli Studi Giuridici sull’Immigrazione (Associação de Estudos Jurídicos sobre Imigração). Até agora, equipes de MSF ofereceram tratamento de reabilitação para 50 pessoas de 18 países diferentes – principalmente pessoas do oeste da África subsaariana, do Chifre da África, do Egito e do sul da Ásia – que sofreram violência em seus países de origem ou durante as perigosas jornadas que fizeram para chegar à costa europeia.

“Enquanto prestamos assistência a migrantes e refugiados, lidamos com histórias trágicas de violência e abusos que precisam de atenção e tratamento específicos”, disse Gianfranco De Maio, coordenador do projeto de MSF. “Nós somos capazes de fazer conexões profundas com as pessoas e responder às emoções profundas com as quais elas estão em conflito, ao mesmo tempo em que respeitamos plenamente sua privacidade.”

MSF projetou o centro de modo que não retraumatizasse as pessoas – pela semelhança com os lugares onde elas foram torturadas, por exemplo. “O centro foi estruturado para criar um espaço que ajude a fomentar um senso de confiança mútua e confidencialidade entre pacientes e cuidadores”, disse De Maio. “É um espaço onde essas pessoas podem administrar sua raiva, medo, suspeições e resignação – tudo consequência direta da tortura que vivenciaram.”

MSF oferece serviços de reabilitação por meio de uma abordagem multidisciplinar realizada por uma equipe composta por um médico, um psiquiatra, um psicólogo, um cientista forense, um psicoterapeuta, dois assistentes sociais, dois especialistas legais, e 12 mediadores culturais e tradutores.

MSF está se baseando em sua experiência com a assistência a solicitantes de asilo e migrantes que desembarcam na Itália e foram levados a centros de recepção na Sicília. Cerca de 80% das pessoas ali tratadas por MSF disseram que sofreram abusos e violência durante a jornada rumo à Europa – normalmente na Líbia, onde a maioria ficou retida por vários meses. Por isso, o centro trata não só sobreviventes de tortura, mas também pessoas que ficaram detidas por longos períodos de tempo, tratadas precariamente, ou sujeitas à violência em seu país de origem ou na rota rumo à Europa.

“Tortura e tratamento desumano são fenômenos bastante disseminados, e nós fazemos do tratamento um aspecto essencial dos nossos projetos voltados para a migração”, diz Tommaso Fabbri, coordenador-geral de MSF na Itália.  “Sem rotas seguras para chegar à Europa, muitas pessoas ficam particularmente expostas ao risco de abuso e violência, o que poderia ter consequências médicas e psicológicas graves no longo prazo. Por meio de seu trabalho, MSF desenvolveu uma grande capacidade de trabalhar com sobreviventes de tortura, e esse projeto é estruturado para oferecer uma resposta adequada ao sofrimento dessas pessoas, e para oferecer a elas uma oportunidade de reabilitação plena.”

MSF atua na Itália desde 2002, principalmente em locais de desembarque nas praias da Sicília e em centros de recepção para migrantes e solicitantes de asilo. Desde 2015, os esforços de MSF têm consistido principalmente na oferta de assistência médica e psicológica às pessoas que chegam à Itália após longas e perigosas jornadas, e que estão precisando urgentemente de cuidados médicos e psicológicos. Para 2016, planejamos continuar e fortalecer nosso trabalho voltado para a saúde mental de migrantes, tanto em Roma quanto na Sicília, por meio de projetos já em andamento ou que ainda serão inaugurados.

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