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Iêmen: tratamento de diálise em situação crítica

26/07/2016
MSF pede que organizações internacionais ofereçam apoio às dezenas de centros de tratamento de diálise afetados pela falta de suprimentos essenciais resultante da guerra no país
Iêmen: tratamento de diálise em situação crítica

Foto: Malak Shaher/MSF

Os centros de tratamento de diálise no Iêmen estão em estado crítico, na medida em que, desde o início da guerra, a obtenção de materiais para a realização de sessões de diálise tem sido extremamente difícil, de acordo com a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Desde o início da crise mais recente, em março de 2015, conflitos contínuos e as restrições de importação afetaram gravemente o sistema de saúde do país e sua capacidade de oferecer medicamentos vitais suficientes para as instalações de saúde que ainda estão em operação. 

“As pessoas com insuficiência renal estão em um momento crítico, já que faltam suprimentos médicos essenciais no país. Normalmente, os pacientes precisam de três sessões de diálise por semana, mas, nas atuais circunstâncias, para a maioria, essa quantidade foi reduzida a duas sessões”, disse William Turner, coordenador-geral de MSF no Iêmen. 

Centro de Diálise do Hospital de Al-Jumhoriem Sana’a (Foto: Malak Shaher / MSF)MSF está oferecendo medicamentos e suprimentos que serão usados para tratar um total de 660 pacientes no período de seis meses. Os suprimentos chegaram a quatro centros de diálise com necessidades mais urgentes em Sana’a, Haija, Taiz e Al-Mahweet. Entretanto, falta suprimentos na maior parte dos 28 centros em operação no Iêmen, o que causa interrupções no tratamento. “Se os pacientes não receberem suas sessões semanais, eles morrerão. Simples assim”, disse o dr. Adel Al-Hagami, coordenador do Centro de Tratamento de Diálise do Hospital Al-Jumhori, em Sana’a.

MSF faz um apelo para que organizações internacionais se mobilizem e apoiem esses centros, na medida em que mais de 4.400 pacientes com insuficiência renal enfrentam uma condição que coloca suas vidas em perigo e se encontram em situação crítica.

“Há instalações e um número adequado de profissionais devidamente treinados no país. O fundamental agora é que esses centros de tratamento recebam suprimentos médicos regularmente e continuem oferecendo um tratamento confiável e capaz de salvar vidas. A guerra paralisou a capacidade financeira do sistema de saúde de importar os suprimentos necessários, fazendo com que a ajuda externa seja a maior prioridade agora”, diz Turner.

MSF é uma organização médico-humanitária internacional que oferece assistência de saúde vital, de acordo com a ética médica. MSF trabalha hoje em mais de 70 países no mundo. No Iêmen, a organização atua em oito províncias, distribuiu mais de 1400 toneladas de suprimentos médicos e tratou mais de 41 mil feridos de guerra desde março de 2015.

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