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Iêmen: trabalhando em meio ao bombardeio em Saada

12/05/2015
Província foi declarada como alvo militar e população recebeu ultimato para deixar a região

Foto: Malak Shaher/MSF

Uma equipe da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) passou a noite de 9 de maio na cidade de Saada sob intenso bombardeio da coligação liderada pela Arábia Saudita. Em 8 de maio, a coligação deu um ultimato à população para que deixasse a cidade e seus arredores, na medida em que toda a província no norte do país se tornaria alvo militar. (Leia a declaração de MSF em resposta à última ofensiva aqui)

O depoimento abaixo é de Teresa Sancristóval, coordenadora de emergência de MSF, integrante da equipe que trabalhou durante a noite no hospital de Al Gumhury, em Saada:

“O bombardeio foi bem intenso. Mais de 20 bombas atingiram diferentes edifícios na cidade, que já haviam sofrido elevado nível de destruição nas últimas semanas. Houve relatos de 140 bombas sendo lançadas na cidade em um único dia.
 
Mesmo que a cidade esteja visivelmente mais vazia, muitas pessoas não estavam cientes da ordem de evacuação – ela não foi ouvida por toda a população. Não há eletricidade, os telefones não funcionam e, ontem, houve uma enorme tempestade. Nós tememos que nem todos estivessem cientes do ultimato. Mesmo no hospital, na noite passada, nós tínhamos sete mulheres dando à luz e cinco delas tiveram de fugir dali por causa da intensidade dos ataques aéreos.

Algumas pessoas estavam deixando a cidade em caminhões, mas muitas estavam fugindo a pé, na medida em que não há combustível devido ao bloqueio.

Embora muitas pessoas já tenham deixado a cidade, a população que continua ali está com muito medo e preocupada. O mercado, instalações de armazenagem e edifícios do governo foram destruídos e muitos civis estão sofrendo as consequências. No hospital, para onde foram levadas as pessoas gravemente feridas, a maioria dos profissionais trabalha e vive na própria instalação.

A equipe de MSF trabalhou no hospital durante a noite toda, na medida em que, devido ao bombardeio, havia uma necessidade de reestruturar os serviços para garantir a segurança da instalação. O hospital está ficando sem lugares seguros, então, por exemplo, a ala de maternidade agora também funciona como ala pediátrica e departamento de internação para mulheres.”

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