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Iêmen: estruturas de saúde são ameaçadas pelos combates em Hodeidah

21/11/2018
Mais de 500 feridos de guerra foram atendidos por MSF desde o começo do mês
Iêmen: estruturas de saúde são ameaçadas pelos combates em Hodeidah

Foto: Agnes Varraine-Leca/MSF

Equipes de MSF trataram mais de 500 pessoas feridas de guerra desde o início de uma nova ofensiva lançada pelas forças apoiadas pela Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (SELC) contra as tropas da Ansar Allah em 1º de novembro. MSF está extremamente preocupada com seus pacientes e profissionais ameaçados pelo confronto muito perto de suas instalações em Hodeidah, no Iêmen.

Lutas intensas e bombardeios foram retomados dentro de Hodeidah, com as batalhas ficando muito próximas do hospital Al-Salakhana, onde equipes de MSF estão trabalhando.

“Nossa equipe pode ouvir explosões e tiros ocorrendo todos os dias em torno do hospital de Al-Salakhana”, explica Caroline Seguin, gerente de operações de MSF para o Iêmen. “Os combates em terra entre forças militares estão se aproximando desse hospital, levantando preocupações sobre a segurança dos pacientes e profissionais.”

“As instalações de saúde de MSF foram atingidas seis vezes no Iêmen desde 2015, matando 27 pessoas e ferindo 40”, diz Seguin. "Todas as partes envolvidas no conflito devem garantir que civis e instalações civis, como hospitais, sejam protegidos".

O hospital Al-Salakhana continua sendo um dos únicos três hospitais públicos abertos e em funcionamento da região. O hospital Al-Thawrah, a principal instalação de saúde pública da cidade, ainda está em funcionamento, mas é ameaçado pelos combates e pela rápida movimentação das frentes de batalha.

“Os civis têm cada vez menos opções de acesso a saúde em Hodeidah e o encaminhamento para outras unidades de saúde fora da cidade leva horas”, explica Seguin. "Nós vemos crianças atingidas por tiros e mulheres grávidas com complicações, precisando urgentemente de cuidados médicos vitais. Elas chegam muito tarde aos hospitais de Mocha e Aden, que ficam a horas de distância pela estrada."

Entre 1 e 15 de novembro, equipes de MSF trataram 510 feridos de guerra, incluindo pelo menos 31 mulheres e 33 crianças em nossas instalações em Hodeidah, Abs, Aden, Hajjah e Mocha. Entre eles, 241 foram feridos por armas de fogo, 227 por explosões e 30 por estilhaços. As admissões nas salas de emergência aumentaram 56% em Aden e 50% em Mocha durante as duas primeiras semanas de novembro, em comparação com o mesmo período de outubro. Para responder ao influxo de feridos de guerra, as equipes de MSF aumentaram sua capacidade de leitos de um total de 133 para 172 em seus hospitais em Aden, Hodeidah e Mocha.

Como o combate continua dentro de Hodeidah, um potencial cerco da cidade poderia levar os civis a serem pegos no fogo cruzado e a ficarem presos sem hospitais suficientes para apoiá-los. “Hoje, não sabemos como as pessoas escapariam se ficassem presas dentro de Hodeidah entre as partes em conflito e como teriam acesso aos serviços básicos se a situação piorar”, diz Seguin.  

Embora os Estados Unidos tenham pedido um cessar-fogo dentro de 30 dias – no final de novembro – e as negociações de paz tenham sido adiadas para o final do ano, MSF alerta sobre o enorme preço que esta ofensiva está causando à vida dos civis. Nenhum número realista está disponível sobre o total de mortos: o número oficial de mortos no conflito permanece em 10 mil desde agosto de 2016, enquanto outros grupos de monitoramento, como o Projeto de Dados de Eventos e Localização de Conflitos Armados comunicaram que mais de 57 mil pessoas morreram.

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