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Honduras: MSF enfrenta surto de dengue

27/08/2010
MSF organizou uma ala de emergência pediátrica, onde mais de 80 crianças já foram tratadas

Devido a um alarmante aumento dos casos de dengue em Honduras neste ano, Médicos Sem Fronteiras (MSF) iniciou uma intervenção de emergência em Tegucigalpa, capital do país, onde a maioria dos casos foi relatada. MSF está apoiando serviços de saúde locais em três frentes: cuidados médicos, controle do vetor e educação comunitária. Esse tipo de intervenção com dengue é algo relativamente novo para MSF. 

Mais de 80 crianças já foram tratadas em uma ala de emergência pediátrica organizada por MSF. Equipes móveis também estão trabalhando com as autoridades de saúde locais para identificar e eliminar focos de infecção em mais de 4 mil casas na áreas de Tegucigalpa. 

A dengue, endêmica na América Central, é uma doença viral transmitida por mosquitos do tipo Aedes. Os sintomas são similares aos da gripe, com dores de cabeça, febre, náuseas, dor abdominal e manchas na pele. A forma mais severa, a dengue hemorrágica, causa sangramentos e pode causar a morte. 

Em Honduras, casos da forma normal da doença aumentaram significativamente em 2010  em comparação com o ano anterior, com mais de 50 mil casos já relatados. Entretanto, o aspecto mais alarmante desse surto é a prevalência da dengue hemorrágica, com mais de 1,5 mil casos relatados e 160 mortes – um aumento de 1850% em relação à 2009. “Eu já tive um outro tipo de dengue antes,” disse Hermínia Moncada cujo filho foi recentemente admitido no hospital com a doença. “Mas essa dengue é diferente. Essa dengue mata.” 

O Ministério da saúde tem respondido ao alto número de casos de dengue aumentando a capacidade dos hospitais e montando unidades especializadas em centros de saúde nas áreas mais afastadas. Apesar disso, o principal hospital de referencia continua superlotado. Recentemente, crianças com dengue foram todas transferidas para este hospital, pois as unidades descentralizadas estavam recebendo apenas adultos. Para aliviar a superlotação, MSF montou uma ala de emergência no Hospital San Felipe, nos arredores de Tegucigalpa, onde crianças abaixo de 15 com sintomas da doença podem ser tratadas. Já no segundo dia de funcionamento, a ala, que conta com 23 camas, já estava trabalhando na sua capacidade máxima. 

No hospital, o tratamento para crianças inclui hidratação e descanso. “Com dengue, nós somos incapazes de identificar de antemão os pacientes que vão evoluir rapidamente. Não existe vacina ou um remédio específico para o vírus, então tudo que podemos fazer é controlar os sintomas e tratar as conseqüências enquanto esperamos que o corpo se estabilize,” disse a dr. Elizabeth Bragança, responsável pela ala de emergência de MSF. 

Ainda que o tratamento pareça simples, hidratação oral envolve certas complexidades: a dose de serum precisa ser administrada cuidadosamente para evitar uma overdose de fluido, pois a dengue altera a permeabilidade dos vasos sanguíneos e há o risco de que os fluidos invadam outras partes do corpo, causando complicações como edemas pulmonares. “É preciso manter um balanço constante dos fluidos administrados”, disse a Dra. Bragança.

 A equipe médica de MSF também tem se dedicado a ensinar os pais como administrar o fluido regularmente nas crianças. “Na minha opinião, o sucesso dessa intervenção médica depende principalmente da colaboração dos pais,” diz a Dra. Bragança. Freqüentemente, os pais ficam esperando ao longo da noite, dando “serum” para as crianças em intervalos regulares e anotando as quantidades, assim eles podem avisar para as equipe depois.  Freqüentemente os pais não têm ninguém para substituí-los e algumas vezes passam muitas noites sem dormir. Por essa razão, apoio emocional para os pais é um elemento da nossa intervenção. 

Para a equipe de MSF, ver as crianças se recuperando pode ser uma experiência muito gratificante. Apenas um dia após ter sido admitida na ala de emergência, Lucia Isammar, de cinco anos, foi capaz de dar um enorme sorriso para sua mãe e dizer que queria ir para a casa, dizendo “eu quero pintar e desenhar”.