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Haiti: uma nova vida apesar dos obstáculos

11/12/2015
A menina Esther Clercy nasceu em meio ao aumento sem precedentes do número de pacientes em hospital de MSF após cortes na área da saúde

Foto: Shiho Fukada/Panos

Cherline deixando o Cruo de MSF com sua filha recém-nascida (Foto: Shiho Fukada/Panos)Cherline Pierre já está com oito centímetros de dilatação e sua pressão arterial estava muito alta em sua chegada ao Centre de Référence en Urgence Obstétricales (Cruo, na sigla em francês) da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Porto Príncipe, no Haiti, no dia 16 de outubro. Ela é levada da área de triagem para a sala de parto imediatamente. Mas seu parto estagna, sua dilatação até mesmo se reduz para sete centímetros. Ela é transferida da sala de parto para outro leito.

Já são sete horas em trabalho de parto. Está levando muito tempo, e ela explica à enfermeira que não entende o porquê. Mas, de repente, acontece: Cherline é levada de volta à sala de parto, juntando-se a outras duas mulheres também em trabalho de parto, e dá à luz uma menina saudável. Sua filha é levada para a mesa de exames e posta sob luzes de aquecimento. O pessoal médico coloca uma pomada amarela sob as pálpebras do bebê para evitar infecções oculares que podem ocorrer durante o parto.

A obstetriz Judith Coissy segura Esther Clercy logo após o seu nascimento no Cruo de MSF (Foto: Shiho Fukada/Panos)No dia seguinte, Cherline é transferida para outra ala para ser monitorada. Clercy, seu marido, visita regularmente, segurando a criança com um olhar um pouco desnorteado em seu rosto. Quando a bebê chora, ele a acalma desajeitadamente, mas ela não para. Ela está com fome. Cherline a amamenta, mas sente dores nas primeiras tentativas. A enfermeira dá alguns conselhos.

Cherline e Clercy decidem chamar sua filha de Esther Clercy, e, na manhã seguinte, Cherline, Clercy e Esther vão para casa. Clercy protege sua esposa e a filha recém-nascida contra o sol com dois guarda-chuvas novos, ainda com as etiquetas. Eles sobem em um tap tap – um tipo de micro-ônibus. Está lotado, mas os passageiros se mexem para dar lugar a Cherline e Esther. Eles descem na delegacia e andam sob seu guarda-chuva até um acampamento de refugiados estruturado após o terremoto de 2010 para as pessoas que tiveram suas casas destruídas. É uma longa caminhada em uma estrada não pavimentada no calor do meio-dia. Clercy pega a bebê e anda um pouco mais a frente, ansioso para levá-la para casa: um abrigo de 15 metros quadrados com paredes e telhado de revestimento metálico. Do lado direito, está a cama, do esquerdo, uma mesa pequena. Seus bens estão em um armário. Dentro da casa é mais quente do que do lado de fora.

Cherline deita sua bebê na cama. Ela está feliz por estar em casa.

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