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Haiti: “Meu filho estava sentindo dor e eu sequer podia lhe dar o suficiente para comer”

21/10/2016
Pacientes atendidos por MSF descrevem os estragos do furacão Matthew
Haiti: “Meu filho estava sentindo dor e eu sequer podia lhe dar o suficiente para comer”

Foto: Joffrey Monnier/MSF

Lopineau, um vilarejo nas montanhas ao redor da cidade de Jérémie, é uma das diversas comunidades isoladas que foram gravemente afetadas pelo furacão Matthew, no Haiti. Composto por pequenas casas em um vale rochoso e repleto de bananeiras altas, o vilarejo hoje está cercado por troncos e restos de árvores e de materiais jogados nas ruas. A fachada de tijolos colorida é tudo o que resta da igreja. Muitos moradores fugiram para o centro de saúde de alvenaria durante o furacão, que é hoje utilizado para consultas médicas.

Annette Beloni, 80 anos, e Givro Beloni, 15 anos (avó e neto)

“Minha mãe e meu filho estavam em casa quando o furacão começou, e eu estava em outro vilarejo”, diz Liselle, filha de Annette, que os levou para a clínica da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). “O vento fez com que um pedaço de revestimento metálico da nossa casa caísse sobre eles, que mal conseguiam se mexer, e o quarto ficou inundado. Quando a tempestade acabou, eu corri de volta para casa e encontrei nosso lar devastado e os dois feridos. Eles tinham machucados abertos nos pés e atrás da cabeça. As enfermeiras do centro de saúde do nosso vilarejo haviam ido para Jérémie buscar abrigo, então minha mãe fez um curativo em seus ferimentos com a ajuda de uma pessoa do vilarejo. Esse homem também deu pontos no ferimento da cabeça do meu filho.

Meu filho estava sentindo dor e eu sequer podia lhe dar o suficiente para comer. Os ferimentos da minha mãe a faziam sentir muita dor, principalmente quando o machucado de seu joelho infeccionou. Ela não conseguia andar e mal sentia vontade de comer. Não havia como levá-la ao hospital desse jeito. Eu os levei à clínica de MSF assim que soube da sua existência.

Havia uma estação de tratamento de água no vilarejo, mas foi danificada na tempestade. A estação ainda está coberta de pedaços de pedra e metal. Também há uma fonte de água um pouco longe daqui, mas as árvores caídas estão bloqueando grande parte do acesso. É muito difícil achar água limpa.”

Os ferimentos de Givro e de Annette foram limpos e receberam curativos, e Annette foi vacinada contra o tétano, porque não tinha carteira de vacinação. Equipes móveis de MSF voltaram a Lopineau para acompanhar os pacientes que atenderam.

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