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Guiné e Libéria: MSF continua combatendo o Ebola

25/05/2014
“Nossa prioridade é continuar oferecendo cuidados para as pessoas infectadas com o vírus Ebola. Do ponto de vista epidemiológico, é cedo para dizer para onde está caminhando a epidemia”, diz coordenador de MSF

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) está enviando mais de 60 profissionais internacionais e 270 profissionais guineanos e liberianos para responder ao surto de Ebola na África Ocidental, que, até o momento, fez 135 vítimas, de acordo com informações oficiais. MSF está prestando suporte às autoridades de saúde locais oferecendo cuidados aos pacientes infectados e implementando medidas para conter a epidemia em três localidades na Guiné e duas na vizinha Libéria.

Até meados de abril, os números oficiais divulgados pelas autoridades de saúde guineanas são 197 casos suspeitos, dos quais foram registradas 122 mortes. Na Libéria, foram reportados 27 casos suspeitos, dos quais foram registradas 13 mortes.

Fortalecendo a capacidade para oferecer cuidados a pacientes em Conacri
Em um centro de tratamento do hospital Donka, MSF, em parceria com o Ministério da Saúde e com a Organização Mundial da Saúde (OMS), está, atualmente, tratando 16 pacientes de Ebola, que estão isolados na instalação. Novos pacientes chegam diariamente, o que levou MSF a expandir a capacidade de 30 para 40 leitos.
 
“Nossa prioridade é continuar oferecendo cuidados para as pessoas infectadas com o vírus Ebola. Do ponto de vista epidemiológico, é cedo para dizer para onde está caminhando a epidemia. Para nós, todo novo caso é um desafio. Continuaremos internando novos pacientes até que o surto esteja terminado”, explica Henry Gray, coordenador de emergência de MSF na Guiné.

Diversos pacientes sobreviveram e se recuperaram da epidemia após terem sido tratados pelas equipes de MSF. A taxa de fatalidade do Ebola é muito alta – cerca de 90% dos pacientes infectados pela doença morrem.

“Quando me disseram que eu tinha o vírus, a primeira coisa que me veio a cabeça foi ‘Vou morrer?’. Mas, graças aos cuidados que recebi, me sinto melhor a cada dia. Com a graça de Deus, sobrevivi à doença”, conta um paciente guineano que prefere não se identificar.

Atividades têm continuidade no sudeste da Guiné
Recentemente, MSF retomou atividades em Macenta, após alguns dias de suspensão que se seguiram às demonstrações de um pequeno segmento da população local. A organização continua discutindo com a comunidade local para evitar interpretações errôneas acerca da doença e para garantir que todos tenham o melhor entendimento possível sobre como se dá sua proliferação e sobre as medidas necessárias para contê-la.

Em Guéckédou, as atividades continuam com 26 profissionais internacionais e 156 profissionais guineanos que trabalham para combater o surto. O centro de tratamento de MSF, que tem a capacidade de 20 leitos, atualmente está com 11 pacientes.

“Conhecemos muito bem nossos pacientes; seus nomes, suas idades, famílias, onde moram, como foram infectados. Quando os pacientes sobrevivem à doença e podem ver nossos profissionais sem suas vestimentas de proteção e apertar suas mãos, é muito emocionante”, conta Mano Canton, coordenador de projeto de MSF em Guéckédou.

Casos confirmados na Libéria levam à extensão da resposta
Após reportes de casos suspeitos de Ebola na Libéria, MSF enviou equipes para as províncias de Lofa e Margibi e para a capital do país, Monrovia.

Em Foya Lofa, próximo da fronteira com a Guiné, quatro casos de Ebola foram confirmados – todas as pessoas infectadas morreram. Atualmente, MSF está construindo um centro para isolar e cuidar dos casos na área. A organização também vai treinar a equipe de saúde local e garantir que os sistemas de alerta estejam em funcionamento, para encaminhar casos suspeitos ao centro de isolamento.

Em Monrovia, MSF presta suporte às autoridades e treina a equipe médica dos hospitais JFK e Elwa. A organização também construiu uma unidade de isolamento no hospital JFK.

Na província de Margibi, ao leste de Monrovia, uma pequena unidade de isolamento foi construída por uma companhia local. MSF presta suporte à unidade com conhecimentos técnicos e organizou um treinamento para a equipe de saúde local. Dois casos foram confirmados na província e ambas as pessoas morreram.

Nova cepa identificada do vírus não impacta resposta médica
Um grupo de médicos e cientistas internacionais, entre eles quarto epidemiologistas de MSF, conduziu um estudo que sugere que uma cepa ligeiramente diferente do vírus do já anteriormente identificado, o Zaire, esteja circulando pela região há algum tempo.

“Essas novas descobertas, publicadas no New England Journal of Medicine, sugerem que o vírus não tenha sido trazido de nenhuma outra parte da África”, afirma Hilde Clerck, um dos epidemiologistas de MSF que contribuiu para o estudo. “No entanto, isso não tem nenhuma implicação médica sobre a forma como MSF está respondendo ao surto de Ebola na Guiné e na Libéria.”