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Grécia: preço alto de vacina contra pneumonia é a principal barreira para vacinar crianças refugiadas

14/07/2016
Nas últimas semanas, MSF vacinou mais de 5 mil crianças refugiadas em acampamentos e assentamentos gregos
Grécia: preço alto de vacina contra pneumonia é a principal barreira para vacinar crianças refugiadas

Foto: Rocco Rorandelli/TerraProject

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou o preço exorbitante que governos e organizações não-governamentais estão sendo obrigados a pagar para vacinar crianças vulneráveis.

Nas últimas semanas, MSF vacinou mais de 5 mil crianças refugiadas com idade entre seis meses e 15 anos em diversos acampamentos e assentamentos na Grécia. MSF vacinou crianças refugiadas contra dez doenças, entre elas, a pneumonia. A pneumonia continua sendo a principal causa de morte em crianças com menos de cinco anos no mundo e é particularmente grave para as que vivem em meio a crises.

MSF fez um apelo para que as farmacêuticas Pfizer e GSK reduzissem o preço da vacina PCV, contra a pneumonia de origem pneumocócica*, para governos e organizações humanitárias em contextos de emergência.
Na Grécia, MSF pagou 60 euros (US$68,10) por cada dose da vacina contra a pneumonia, adquirida em farmácias locais. Isso é 20 vezes mais do que o menor preço cobrado pela vacina em todo o mundo, que é de cerca de 2,80 euros (US$3,10) por dose.

Apesar de vacinarem crianças altamente vulneráveis, organizações humanitárias como MSF não conseguem adquirir vacina pelo preço mais baixo do mercado. O menor preço pela vacina pneumocócica está disponível apenas para os países mais pobres que recebem suporte da Gavi, a Aliança Mundial para Vacinas e Imunização. Para imunizar completamente uma criança, são necessárias três doses da PCV.  

Uma outra vacina usada por MSF em suas campanhas protege crianças contra seis doenças, mas também é cara, com valor aproximado de 65 euros por dose.

“Governos e organizações humanitárias precisam de instrumentos para proteger as crianças que estão enfrentando uma das maiores crises dos nossos tempos”, disse o dr. Apostolos Veizis, diretor da unidade de apoio médico-operacional de MSF na Grécia. “A Pfizer e a GSK devem reduzir o preço da vacina pneumocócica.”

“Com o colapso dos sistemas de saúde na Síria, no Iraque e no Afeganistão, a maioria das crianças que vivem nos acampamentos ou fora deles não foi imunizada em seu país de origem ou durante a jornada. Elas estão vivendo em condições dramáticas e não deveriam pagar com sua saúde o preço de terem de fugir de casa para salvar suas vidas. Nós devemos protegê-las a todo o custo contra a pneumonia e outras doenças fatais”, disse Veizis.

Por mais de seis anos, MSF tentou negociar um preço reduzido da vacina contra a pneumonia diretamente com seus únicos dois fabricantes, a Pfizer e a GlaxoSmithKline (GSK), a fim de conseguir proteger crianças afetadas por crises contra a doença. Até agora, as duas empresas farmacêuticas se recusaram a reduzir o preço e, com isso, ainda não há solução à vista para as populações que vivem em meio a crises.

Em maio, MSF entregou à Pfizer e à GSK uma petição assinada por mais de 416 mil pessoas de 170 países pedindo que reduzissem o preço da vacina pneumocócica para 5 dólares por criança (para todas as três doses) para populações afetadas por crises e para todos os países em desenvolvimento.   

MSF vacinou 3 mil crianças em Idomeni, na fronteira entre a Grécia e a Ex-República Iugoslava da Macedônia em maio, e também nos campos de refugiados da região de Ática, na parte central da Grécia, na Ilha de Samos, e em Atenas. Nas próximas semanas, MSF vacinará crianças nos campos de Epirus e na Ilha de Lesbos, em parceria com o Ministério da Saúde.

*Um dos germes causadores de pneumonia grave.
 

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