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Grécia: milhares de imigrantes e refugiados estão submetidos a condições precárias na fronteira com a Antiga República Iugoslava da Macedônia

16/07/2015
MSF está ampliando suas atividades em Idomeni para atender pessoas em necessidade

Foto: Alessandro Penso

Durante a primeira semana de julho, o número de imigrantes e refugiados reclusos nas florestas ao redor do vilarejo de Idomeni, na fronteira entre a Grécia e a Antiga República Iugoslava da Macedônia (ARIM), aumentou em dez vezes. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) tem oferecido, desde abril, consultas médicas, apoio psicológico e itens de primeira necessidade, e agora está planejando reforçar suas atividades na região com o lançamento de uma equipe móvel adicional.

Devido a um recente reforço no controle das fronteiras realizado pela polícia e forças especiais da ARIM, mais de 2 mil pessoas que viajavam rumo ao norte da Europa se encontraram encurraladas em Idomeni, e agora algumas estão tentando a travessia por outros pontos de fronteira. A maioria dos pacientes atendidos pelas equipes médicas de MSF estão fugindo da guerra e da violência na Síria, no Afeganistão e no Iraque, sendo alguns deles particularmente vulneráveis, como idosos ou pessoas com deficiência, gestantes e crianças com menos de cinco anos. Muitos estão vivendo em condições miseráveis, ficando ao relento na floresta ou na estação de trem, sem qualquer abrigo, alimentos ou acesso a instalações sanitárias.

“A situação ficará ainda pior se mais pessoas ficarem detidas na região, porque não há quaisquer instalações básicas aqui e as pessoas estão com medo do que irá lhes acontecer. Muitas são forçadas a correr sérios riscos para evitar serem pegas, e, infelizmente, diversos acidentes têm acontecido na fronteira, com vítimas fatais. É absurdo que as pessoas que estão fugindo da guerra e da violência sejam forçadas a arriscar suas vidas para, finalmente, obter segurança em países que podem garantir sua proteção”, diz Antonis Rigas, coordenador do projeto de MSF em Idomeni.

As equipes médicas móveis de MSF estão visitando a região cinco dias por semana, oferecendo consultas médicas, apoio psicológico e distribuindo itens de primeira necessidade, como cobertas, barras de cereais proteicas e sabonete. Ao longo da primeira semana de julho, MSF atendeu uma média de 85 pessoas por dia. A organização também instalou dois pontos para coleta de água.

A maioria dos problemas médicos são infecções do trato respiratório, infecções de pele, dores musculares e doenças gastrointestinais; todos podem ser associados às condições vividas durante a jornada. Muitos pacientes sofrem com graves bolhas e dores musculares provenientes da caminhada de mais de 70 quilômetros desde a cidade de Thessalokini, na medida em que eles tiveram o acesso ao transporte público e privado até as regiões da fronteira negado.

“Muitas dessas pessoas vivenciaram eventos traumáticos em seus países de origem e tiveram de enfrentar uma jornada perigosa e exaustiva”, diz Aggela Boletsi, psicóloga de MSF. “Além disso, as pessoas agora estão sendo maltratadas por oficiais da fronteira, policiais estão dando tiros para o alto para mantê-las afastadas dali, e nós até tratamos pacientes feridos que disseram ter apanhado desses oficiais. Naturalmente, muitas pessoas ficam com medo quando são confrontadas com uma abordagem agressiva como essa.”

Para responder ao aumento do número de pessoas em necessidade de apoio e cuidados médicos, MSF ampliará suas atividades com o lançamento de uma segunda equipe móvel em julho, que vai permitir a continuidade da presença da organização, todos os dias da semana, na região de Idomeni.

No fim de 2014, MSF lançou um projeto na região dos Balcãs para prestar assistência aos imigrantes e refugiados que chegam à Turquia e que cruzam os Balcãs com a esperança de chegar ao oeste da Europa. Atualmente, duas equipes na Sérvia e três na Grécia estão oferecendo apoio médico e psicológico, assim como distribuindo itens essenciais de primeira necessidade, a essas pessoas. As equipes estão estruturadas em pontos de chegada nas ilhas gregas e ao longo das fronteiras entre Grécia e ARIM, ARIM e Sérvia e Sérvia e Hungria.