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Garantir acesso à saúde para os moradores desfavorecidos de Porto Príncipe é necessário

26/12/2007
MSF faz um apelo às autoridades haitianas e à comunidade internacional no momento em que encerra suas atividades em Cité Soleil

Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançou um apelo às autoridades haitianas e à comunidade internacional para que o acesso aos cuidados de saúde seja garantido para a população de Cité Soleil e Martissant. O pedido foi feito durante a apresentação dos resultados dos projetos de MSF nesses dois bairros.

Os projetos de Cité Soleil, que serão concluídos no dia 31 de dezembro de 2007, no Centro Haitiano Arabe Plan International (Chapi) e no Centro Hospitalar Sainte Catherine Labouré (Choscal) foram iniciados em julho de 2005 com o objetivo de levar os cuidados de saúde à população vítima da violência gerada pelas partes em conflito.

MSF oferecia apoio a duas estruturas do Ministério da Saúde Pública e da População (MSPP) de Cité Soleil para poder ajudar a população encurralada e principal vítima dessa onda de violência cotidiana. Quando MSF chegou à Cité Soleil, as estruturas do MSPP praticamente não funcionavam.

De julho de 2005 ao fim de novembro de 2007, a presença contínua das equipes de MSF, mesmo nos momentos de combates mais intensos, permitiu que fossem realizadas 72 mil consultas em Chapi e 32 mil em Choscal, onde mais de 13 mil pacientes foram internados. Além disso, 5.500 partos e mais de 3 mil intervenções cirúrgicas, das quais 1.800 de emergência, foram realizadas no Choscal. De um total de 579 feridos à bala, 90% foi tratado entre julho de 2005 e o fim de 2006. MSF também investiu na reabilitação das duas estruturas.

Depois de abril de 2007, a segurança em Cité Soleil melhorou. Nenhum ferido por bala foi recebido no hospital de Choscal e a população do bairro não vive mais encurralada. No entanto, para garantir o acesso aos cuidados de saúde são necessárias intervenções estruturais a longo prazo. MSF, uma organização médica especializada em emergências, decidiu passar de maneira gradativa suas atividades em Cité Soleil em MSPP. A comunidade internacional deve apoiar os esforços das autoridades haitianas.

"Hoje, a insegurança não pode mais ser uma desculpa para a não-intervenção de outros atores estatais e não-estatais", afirma Jessica Neerkorn, chefe de missão de MSF no Haiti, responsável pelos programas de Cité Soleil e de Martissant. "Apesar disso tudo, as intervenções de cunho sanitário são muito raras em Cité Soleil. Nós pedimos às Nações Unidas e aos doadores que apóiem os esforços das autoridades haitianas para garantir um programa de saúde de qualidade".

Em dezembro de 2006, MSF deu início a um projeto em Martissant, um bairro onde a violência cotidiana e a falta de estruturas médicas privaram a população de cuidados de saúde. De acordo com uma enquete realizada por MSF em agosto de 2007, sobre o período que vai de janeiro de 2006 a julho de 2007, quase que um caso de morte entre quatro estava associado à violência. Por isso, MSF abriu em dezembro de 2006 uma unidade de emergência em Martissant. Em julho de 2007, MSF também implementou clínicas móveis no centro de Martissant, em Ti Bois, Grand Ravine, Bolosse e Barreau. Atualmente, a unidade de emergência trata em média 60 pacientes por dia, dentro os quais 12% vítimas da violência. Cada dia, mais de 12 pacientes são transferidos, em sua maioria para outros hospitais onde MSF trabalha. As equipes médicas encarregadas das clínicas móveis oferecem atendimento médico primário a cerca de 400 pacientes por dia.

"A experiência de MSF em Martissant mostra que é possível e indispensável oferecer cuidados de saúde a uma população composta de cerca de centenas de milhões de pessoas, que vivem numa chamada "zona vermelha", defende Jessica Neerkorn. "É portanto indispensável que as autoridades hatianas, com o apoio da comunidade internacional, implementem unidades de saúde no centro desse bairro para garantir verdadeiramente o acesso à saúde aos moradores de Martissant".

Em 2008, MSF continuará a trabalhar junto às populações desfavorecidas e vulneráveis do Haiti. MSF continua presente em Martissant, trabalhando no Centro Traumatológico do Hospital de la Trinité, no Centro de Reabilitação de Pacot e na Maternidade Jude Ann.

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