Você está aqui

Falta de acesso a medicamentos deteriora a saúde de refugiada síria no Líbano

30/04/2014
Malak Arab sofre com asma e, mais recentemente, passou a ter, também hipertensão

Malak Arab, de 70 anos, veio da região de Halab, na Síria, e chegou ao Líbano há um ano. Até onde ela sabe, seu filho e sua filha continuam no país. Ela e uma senhora vivem em um cômodo em um prédio em Baalbek que abriga muitas famílias de refugiados que compartilham banheiros e cozinha. Nas últimas seis semanas, ela tem recebido assistência médica na clínica de MSF em Baalbek.

“Eu vim para o Líbano por causa da guerra. Havia bombardeios por todo o canto”, ela conta. “Tive de pagar 1.200 liras sírias (US$ 8,00) para entrar no Líbano.”

“Por um ano, antes de eu vir para o Líbano, mudei de um lugar para o outro na Síria, por causa dos bombardeios. Não estou em contato com nenhum dos meus familiares e amigos. Meus filhos não puderam vir para cá porque todos os nossos documentos foram queimados. Eles me levaram até a fronteira, mas, depois disso, não tive ninguém que me ajudasse. Hoje, dependo apenas da solidariedade entre nós, os refugiados.”

“Eu tenho asma há dez anos, e também uma doença na vesícula biliar. Na Síria, todos os medicamentos que eu precisava estavam disponíveis e eu sempre podia visitar o médico. Meus filhos me davam os medicamentos necessários. Mas, depois do início da guerra, havia menos medicamentos disponíveis e meu estado de saúde se deteriorou. Houve um momento em que eu não tive acesso aos medicamentos por três meses, ainda que eu tivesse as receitas adequadas.”

“Consegui comprar um pequeno estoque de medicamentos antes de vir ao Líbano, mas minha saúde foi prejudicada pela guerra. Agora, estou, também, hipertensa e mal posso andar devido ao estresse. Na Síria, eu seguia uma dieta prescrita pelo meu médico, mas no Líbano, como o que estiver disponível; se alguém cozinha, como o que for feito.”

Ela deita no chão, tremendo. “Estou exausta.”
 
MSF continua concentrando esforços para garantir o retorno seguro dos colegas que foram levados de uma casa da organização no norte da Síria na noite de 2 de janeiro de 2014, enquanto trabalhavam para oferecer cuidados médicos à população do país vítima da guerra. Desde que MSF começou a administrar hospitais e clínicas improvisados no norte da Síria, em junho de 2012, as equipes médicas realizaram mais de 140 mil consultas, muitas relacionadas a ferimentos decorrentes de trauma e doenças crônicas que representam uma ameaça à vida. Além disso, mais de 2 mil mulheres receberam assistência durante o parto. Apesar dos enormes desafios, MSF mantém a provisão de assistência médica à população síria em sofrimento.