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Etiópia: saúde materna e infantil nas montanhas

03/05/2013
Casas de acolhimento de MSF oferecem monitoramento e cuidados essenciais às gestantes no sul do país

Aroressa é uma bela região motanhosa, com pequenas plantações de café irrigadas por cachoeiras naturais e riachos que fluem pelas íngremes encostas dos vales, com quedas de 300 metros e mais. No solo, o gado pasta em meio aos riachos e crianças brincam do lado de fora de cabanas em formato de cebola, típicas da região de Sidama, no sul da Etiópia.
 
Dois programas da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão localizados nessa região alta, separados por cerca de 80 km de estradas poeirentas das montanhas. A beleza do local pode confundir o visitante acerca dos graves problemas de saúde enfrentados pela população: centros de saúde são escassos, assim como profissionais médicos qualificados, e as taxas de mortalidade materna e infantil são altas. O terreno montanhoso dificulta a movimentação de gestantes até o centro de saúde mais próximo, que pode ficar a até 20 km de distância. As equipes de MSF já se depararam com muitas pessoas de comunidades isoladas transportando doentes ou gestantes para o centro de saúde mais próximo no trajeto de carro ou a cavalo de um centro de saúde para outro. Muitas vidas já foram perdidas nessas penosas jornadas.
 
Na tentativa de reduzir as taxas de mortalidade materna e infantil, MSF estruturou duas casas de acolhimento para as mães, Chire e Mejo. Essas casas abrigam mulheres em gestações avançadas de vilarejos distantes que não têm acesso rápido à assistência médica, que estejam vivenciando ou tenham já tido complicações durante a gravidez ou apresentem condições que demandem atenção constante. Essas mulheres vêm à casa de acolhimento, são examinadas pela equipe de MSF e mantidas sob observação regular para que, em caso de necessidade de tratamento urgente, uma medida imediata possa ser tomada. “Eu vim até a casa de acolhimento porque tive dores e sangramento durante minha gravidez e sabia que MSF ajuda gestantes”, afirma Birtu Kawato, de 25 anos, da região de Baya Faficho Kebele. Partos sem complicações são assessorados por uma parteira de MSF nos centros de saúde, enquanto mulheres que apresentam complicações são transferidas para hospitais próximos. Atualmente, cada casa de acolhimento tem capacidade para abrigar 20 mulheres em leitos. Desde que foi inaugurada a casa de acolhimento de Mejo, no último trimestre de 2012, 251 mulheres tiveram seus partos assistidos. A satisfação dessas mulheres faz com que passem a mensagem para mulheres de outras comunidades. “A maioria dessas mulheres caminha por cerca de oito horas de seus vilarejos até a casa de acolhimento porque sabem que MSF está aqui e elas vão receber cuidados de qualidade”, conta Eva Dominguez, enfermeira e parteira de MSF em Aroressa.
 
As casas de acolhimento são uma forma de estimular as mulheres a procurarem assistência médica durante o parto, reduzindo as mortalidades materna e infantil na região. O público da iniciativa são as mulheres da região com idade suficiente para serem mães, número estimado, atualmente, em 50.556.
 
Em ambos os centros de saúde, MSF, em parceria com o Ministério da Saúde da Etiópia, oferece serviços de pré e pós-natal, planejamento familiar e assistência médica e psicológica a vítimas de violência sexual.