Etiópia: caso de profissionais de MSF mortos segue impune após cinco anos

Crime expõe falhas globais na proteção de trabalhadores humanitários e no cumprimento do Direito Internacional Humanitário

Yohannes Halefom Reda, María Hernández Matas e Tedros Gebremariam Gebremichael, três profissionais de MSF assassinados em junho de 2021, na Etiópia, enquanto trabalhavam. ©MSF
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Cinco anos após o assassinato brutal de três profissionais de Médicos Sem Fronteiras (MSF) na região central de Tigray, na Etiópia, o governo etíope não demonstrou qualquer sinal de conclusão ou divulgação dos resultados de uma investigação crível e imparcial, apesar de esforços contínuos de diálogo da organização com as autoridades.

Em 24 de junho de 2021, María Hernández Matas, Tedros Gebremariam Gebremichael e Yohannes Halefom Reda foram baleados enquanto buscavam pessoas que necessitavam de assistência médica na região, em meio a relatos de combates intensos.

Um ano depois de MSF publicar sua análise interna sobre o assassinato brutal, as famílias de María, Tedros e Yohannes ainda não receberam nenhuma comunicação oficial ou conclusões fundamentadas sobre o ocorrido naquele dia; por isso, instamos o governo da Etiópia a cumprir sua obrigação de concluir e divulgar a investigação.

As conclusões da análise de MSF, divulgadas há um ano, confirmaram que o ataque resultou no assassinato intencional de três trabalhadores humanitários identificados de forma evidente. A análise também estabeleceu que um comboio das Forças de Defesa Nacional da Etiópia (ENDF, na sigla em inglês) estava presente no momento do incidente, na mesma estrada onde nossos colegas foram mortos.

 

Desrespeito às equipes médicas e humanitárias e ao Direito Internacional Humanitário

Em maio de 2026, completaram-se 10 anos desde que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou, por unanimidade, a Resolução 2286, na qual os Estados se comprometeram a cumprir suas obrigações sob o Direito Internacional Humanitário e a proteger os profissionais médicos e humanitários. No entanto, o incidente em Tigray é emblemático de uma falha global no cumprimento desse compromisso, pois os Estados negligenciam seu dever de investigar e responsabilizar os autores de ataques contra trabalhadores humanitários e equipes de saúde.

María, Tedros e Yohannes perderam a vida enquanto prestavam assistência vital a pessoas em situação de emergência. O assassinato deles não deve ser esquecido nem recebido com silêncio, assim como esses ataques não devem ser normalizados ou perpetuados pela impunidade. Os Estados precisam manter seu compromisso de construir um ambiente mais seguro para os trabalhadores humanitários por meio de ações concretas, e não apenas de palavras vazias.

Equipamentos médicos danificados no hospital Abi Adi, na Etiópia, em março de 2021, após a ocupação do local por forças militares nos primeiros meses do conflito. ©Igor Barbero

MSF apela ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e a todos os Estados a adotarem medidas mais firmes para garantir a responsabilização por incidentes e a segurança das equipes humanitárias. Conclamamos todos os Estados a cumprirem sua responsabilidade de respeitar — e assegurar o respeito a — o Direito Internacional Humanitário, incluindo a proteção dos trabalhadores humanitários.

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