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Estudo mostra que antibiótico limita contágio de meningite

26/06/2018
Ensaio clínico realizado no Níger em 2017 trouxe resultados promissores
Estudo mostra que antibiótico limita contágio de meningite

Foto: Juan Carlos Tomasi

A administração de doses únicas do antibiótico oral ciprofloxacina a residentes de vilarejos rurais do chamado “cinturão da meningite” na África reduziu os casos da doença durante uma epidemia em 2017. A conclusão é de um novo estudo publicado pela revista científica “Plos Medicine”. A pesquisa, comandada por Matthew Coldiron, foi apoiada pelo centro de pesquisa Epicentre, braço de investigação científica da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

A profilaxia com antibióticos tem sido usada para limitar o contágio de meningite meningocócica, especialmente em países de renda mais elevada. Essa estratégia é especialmente útil em situações nas quais vacinas ou outras medidas profiláticas ainda não estão amplamente disponíveis.

No ensaio clínico aleatório em questão, conduzido durante um surto de meningite meningocócica no distrito de Madarounfa, no Níger, vilarejos com casos registrados de meningite foram submetidos de maneira aleatória a uma das três estratégias de intervenção: assistência padrão (grupo de controle, sem medicação profilática); dose única de ciprofloxacina oral para pessoas que residiam no mesmo domicílio de doentes; ou distribuição ampla de ciprofloxacina em todo o vilarejo. Os pesquisadores compararam os casos novos em cada vilarejo e residência onde o antibiótico foi ministrado com os ocorridos entre o grupo que não recebeu a profilaxia com antibiótico.

Entre abril e maio de 2017, 49 vilarejos foram incluídos no estudo. Um total de 248 casos de meningite foram detectados. O índice de novos casos de meningite foi de 451 por 100 mil pessoas no grupo de controle; 386 por 100 mil no grupo de moradores de residências onde houve contágio; e 190 por 100 mil nos vilarejos onde a profilaxia foi aplicada de maneira abrangente.

Os resultados mostram que, ao final da epidemia, o número de novos casos foi 60% inferior nos vilarejos que receberam o tratamento profilático abrangente, enquanto que a profilaxia limitada aos domicílios onde houve infecção reduziram os casos de meningite em um percentual irrelevante, de apenas 6%.

Os autores concluem que “a persistência de epidemias sazonais de meningite meningocócica no cinturão africano da meningite pode ser combatida de maneira efetiva apenas com uma vacina conjugada eficiente e acessível. Enquanto isso não acontece, uma resposta epidêmica com a profilaxia em massa com ciprofloxacina pode ser uma ferramenta valiosa e deve continuar sendo avaliada”.

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