Escalada do conflito no Oriente Médio: MSF adapta atividades e se prepara para ampliar ajuda

Organização monitora necessidades humanitárias e mobiliza equipes e suprimentos no Irã, no Líbano e em países vizinhos

©Sebastian Bolesch

Médicos Sem Fronteiras (MSF) está alarmada com a dramática escalada do conflito em toda a região do Oriente Médio, após os ataques das forças americanas e israelenses no Irã e as subsequentes ações de retaliação do Irã em diversos países. MSF está adaptando suas atividades para responder à situação e monitora de perto as necessidades humanitárias que evoluem rapidamente.

Em toda a região, a escalada da violência trouxe medo para milhões de pessoas. Os bombardeios continuam em diversas cidades e vilarejos, muitas vezes atingindo áreas densamente povoadas, e o número de vítimas está aumentando. MSF pede a proteção de civis, hospitais, unidades de saúde e outras infraestruturas essenciais.

Os últimos ataques e as ordens de evacuação para quase todo o sul do Líbano estão forçando ainda mais pessoas a fugir. E não há nenhum lugar seguro para onde ir.”

Francesca Quinto, coordenadora de projetos de MSF

No Líbano, milhares de pessoas foram deslocadas. “A escalada do conflito ocorre após 15 meses de um ‘acordo de cessar-fogo’ que nunca trouxe segurança real para a população libanesa”, afirma Francesca Quinto, coordenadora de projetos de MSF. “Os últimos ataques e as ordens de evacuação para todos os subúrbios do sul de Beirute e para quase todo o sul do país estão forçando ainda mais pessoas a fugir. E não há nenhum lugar seguro para onde ir.”

Para muitas pessoas no sul do Líbano e em outras áreas do país, as ordens de evacuação significam reviver o trauma do deslocamento. “Famílias que estavam começando a se recuperar lentamente dos combates anteriores estão sendo obrigadas a deixar suas casas. Algumas ficaram presas nas estradas com crianças, parentes idosos e familiares doentes, enfrentando condições extremamente difíceis”, alerta Quinto.

Nossas equipes no Irã e no Líbano estão, até o momento, em segurança. MSF monitora os desdobramentos da crise e avalia como prestar apoio às pessoas afetadas. A organização também conta com suprimentos médicos em ambos os países, prontos para serem enviados.

Antes de 28 de fevereiro, quando a escalada do conflito começou, MSF mantinha três projetos no Irã, fornecendo assistência médica essencial a pessoas em situação de vulnerabilidade – incluindo 6 mil consultas médicas por mês, além de cuidados obstétricos, triagem e tratamento para doenças infecciosas e apoio de saúde mental. Mesmo com os ataques aéreos e o bloqueio das comunicações, MSF conseguiu, até o momento, dar continuidade a algumas atividades. No entanto, receber informações das equipes têm sido extremamente difícil.

A clínica de MSF em Teerã permanece temporariamente fechada devido aos intensos bombardeios. Já as clínicas em Mashhad e Kerman seguem abertas, operando com equipes reduzidas.

Nossos profissionais estão em contato com as autoridades para ampliar o apoio emergencial em resposta às necessidades relacionadas ao conflito — incluindo manter nossas clínicas abertas 24 horas por dia, 7 dias por semana, e apoiar os sistemas de saúde locais. A organização aguarda uma resposta.

No Líbano, nossas equipes estão adaptando suas atividades para responder às necessidades urgentes das pessoas deslocadas, ao mesmo tempo em que garantem a continuidade do atendimento nos projetos regulares no país. Desde 4 de março, uma clínica móvel oferece consultas médicas e primeiros socorros psicológicos em Saida, no sul do Líbano, onde alguns abrigos estão superlotados.

Também começamos a fornecer água potável para abrigos em Beirute e realizamos avaliações em Beirute, Rashaya e outras áreas para ampliar o número de clínicas móveis e o envio de suprimentos. Estamos em contato com as autoridades e outros atores relevantes para oferecer apoio adicional onde for necessário.

Em outras partes da região: nossas equipes em Gaza e na Cisjordânia continuam a atender às imensas necessidades médicas e de saúde mental. No Iraque, MSF possui suprimentos médicos disponíveis para serem enviados à região, se necessário.

 

Mais informações sobre as atividades de MSF no Irã e no Líbano

Irã
MSF trabalha no Irã para suprir as lacunas na assistência à saúde entre comunidades em situação de vulnerabilidade, incluindo refugiados afegãos e outras populações que necessitam de ajuda.

No sul de Teerã, onde MSF iniciou um projeto em 2012, as equipes fornecem atenção primária integrada por meio de uma clínica fixa, clínicas móveis e atividades de extensão. Os serviços incluem atendimento para doenças infecciosas e não transmissíveis, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental e apoio psicossocial, tratamento de feridas, triagem e tratamento para hepatite C, encaminhamento para atendimento secundário, além de apoio social e promoção da saúde.

Em Mashhad, perto da fronteira com o Afeganistão, MSF está presente desde 1996 e administra clínicas móveis que oferecem consultas médicas e psicológicas e triagem para doenças infecciosas entre grupos vulneráveis, além de serviços no distrito de Golshahr para refugiados afegãos, que incluem aconselhamento, promoção de saúde, apoio social e encaminhamentos.

Na província de Kerman, MSF é a única organização médica que fornece serviços de saúde diretos a refugiados afegãos. Seus centros de atenção primária à saúde atendem áreas carentes da cidade de Kerman, que abriga cerca de 200 mil afegãos.

Desde abril de 2024, MSF opera a clínica Vahdat nos arredores da cidade e mantém outra clínica em parceria com as autoridades de saúde, oferecendo atendimento para doenças transmissíveis e não transmissíveis, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental e apoio psicossocial, tratamento de feridas e triagem para tuberculose, HIV e hepatite B e C.

 

Líbano
As equipes de MSF no Líbano apoiam diversas comunidades que enfrentam barreiras no acesso à saúde, indo além da atenção primária para incluir a distribuição de itens de socorro e encaminhamentos para tratamento de nível secundário em um país que se recupera das consequências da guerra.

Atualmente, MSF mantém clínicas em Bourj Hammoud, nos subúrbios ao norte de Beirute, voltadas principalmente para trabalhadores migrantes, oferecendo atendimento médico e de saúde mental.

Na província de Baalbek-Hermel, MSF mantém duas clínicas em Arsal e Hermel, fornecendo atenção primária à saúde para comunidades em situação de vulnerabilidade, tanto libaneses quanto refugiados.

No norte do Líbano, MSF apoia as clínicas do Ministério da Saúde em Trípoli, a segunda maior cidade do país, que enfrenta graves dificuldades econômicas, e mantém clínicas móveis em Akkar, atendendo sírios sem acesso a serviços de saúde.

No sul do Líbano, nas províncias do Sul e de Nabatiyeh, mantemos clínicas móveis e apoiamos unidades fixas de atenção primária à saúde desde o agravamento do conflito em 2024.

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