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Ebola se espalha em áreas urbanas e isoladas da República Democrática do Congo

03/12/2018
Epidemia declarada em agosto já atingiu 440 pessoas, com 255 mortes
Ebola se espalha em áreas urbanas e isoladas da República Democrática do Congo

Foto: John Wessels

A epidemia de Ebola continua a se espalhar pela província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo (RDC). As áreas mais recentes a serem afetadas incluem a cidade de Butembo (próxima à fronteira de Uganda) e uma série de áreas isoladas que são de difícil acesso. Até agora, 440 pessoas foram infectadas pelo vírus, entre as quais 255 morreram. Equipes da organização médica internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) continuam os esforços para controlar a epidemia no país.

Esta é a décima e mais grave epidemia de Ebola da RDC desde que o vírus foi descoberto, em 1976, perto do rio Ebola, no norte do país (que à época era chamado de Zaire). Quarenta anos depois, apesar de uma mobilização maciça e coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde congolês e organizações como MSF, o vírus mortal ainda está se espalhando. O surto foi declarado em 1 de agosto.

Os locais urbanos afetados mais recentemente são a cidade de Butembo, bem como Kalenguta, 25 km ao norte, e Katwa, 30 km a leste. Todos esses lugares apresentaram um aumento nos casos confirmados de Ebola, assim como alguma resistência das comunidades. Por enquanto, o número de casos no centro da cidade de Butembo é baixo, mas os casos estão aumentando rapidamente em seus subúrbios a leste e nos bairros isolados.

“Estamos muito preocupados com a situação epidemiológica na área de Butembo”, afirma John Johnson, coordenador do projeto de MSF em Butembo. “Agora sabemos que esse surto vai durar e que precisamos aumentar nossos esforços para controlá-lo. Com o consentimento das autoridades, tomamos uma decisão estratégica de implantar nossas atividades junto às populações afetadas e organizar o treinamento de pessoas-chave nas comunidades para que possamos alcançar pacientes e seus familiares ”.

Os esforços de MSF para chegar até as pessoas com suspeita de Ebola que vivem em áreas isoladas tiveram sucesso inicial. Novos casos estão sendo relatados nessas áreas e os pacientes estão sendo levados para Butembo, onde a organização gerencia um centro de tratamento  em colaboração com o Ministério da Saúde do Congo. O número de leitos neste centro foi recentemente ampliado para 64.

Enquanto isso, MSF reforçou suas atividades para impedir a contaminação pelo Ebola nos centros de saúde e vacinar os profissionais de saúde que têm contato direto com os pacientes para ajudar a conter a epidemia. Até agora, 2.000 trabalhadores da linha de frente receberam a vacina contra o Ebola.

Em Mangina, onde a epidemia começou, nenhum novo caso foi relatado por várias semanas. “Nós poderemos encerrar nossas atividades no centro de tratamento em breve”, diz Axelle Ronsse, coordenador da resposta ao Ebola de MSF.
Em Beni, o número de casos por semana permanece estável. No entanto, novas notificações ainda estão sendo confirmadas diariamente. "Para combater isso, intensificamos nossas operações médicas e de saúde abrindo um centro de triagem com 48 leitos que ainda estão ocupados", diz a Ronsse. “Nós também, por exemplo, realizamos descontaminações em centros de saúde onde um paciente confirmado esteve. Mas nossas ações não se limitam a respostas reativas: aumentamos nossa formação de profissionais de saúde e conscientizamos as comunidades sobre práticas de higiene. Quatro meses após o início da epidemia, continuamos mobilizados e vigilantes em face do desenvolvimento do surto”.

Antoine é responsável pelas atividades de promoção da saúde no centro de tratamento do Ebola em Butembo. "Meu trabalho diário é essencial para enfrentar a epidemia", diz Antoine. “Queremos incentivar as pessoas a buscarem tratamento o mais rápido possível. Também divulgamos a mensagem de que a recuperação do Ebola é possível. Pedimos a todos os sobreviventes que deixem nosso centro para se tornarem embaixadores e conscientizarem a todos ao contarem as próprias histórias. Algumas pessoas que agora são imunes ao vírus podem, por sua vez, fornecer ajuda valiosa, particularmente cuidando de crianças isoladas de suas famílias. É trabalhando juntos que vamos vencer essa epidemia. Isso diz respeito a todos.”
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NOTA
Equipes de MSF têm respondido à epidemia de Ebola em Kivu do Norte e na província vizinha de Ituri desde que foi declarada em 1º de agosto de 2018, na Rrepública Democrática do Congo. MSF está administrando centros de tratamento de Ebola nas cidades de Mangina, Butembo e Tchomia; um centro de isolamento em Bunia; e um centro de trânsito em Beni. MSF também realiza atividades de controle, prevenção e conscientização em centros de saúde e em comunidades afetadas.
MSF mantém completa independência de todos os poderes políticos, religiosos ou militares e observa a imparcialidade em suas ações, com base em uma avaliação das necessidades médicas. A independência da associação é assegurada pelo financiamento, 96% dos quais provém de doadores privados.
 

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