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É preciso ampliar a resposta à epidemia de Ebola

03/04/2014
Até o momento, as autoridades de saúde da Guiné reportaram 134 casos suspeitos e 84 mortes

Cinquenta e dois profissionais internacionais juntaram-se ao pessoal local da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Guiné para trabalhar em parceria com o Ministério da Saúde nacional. Eles estão atuando em Conacri, bem como nas cidades da província de Guéckédou e Macenta, no leste do país.

Atualmente, 19 pacientes estão sendo isolados para receber cuidados em uma das unidades de MSF nessas localidades. Médicos, enfermeiros, epidemiologistas, especialistas em água e saneamento, promotores de saúde e psicólogos estão trabalhando em campo.
“Nossos esforços estão concentrados em conter a epidemia, o que é feito por meio da detecção dos doentes e de seu isolamento do restante da população”, conta Anja Wolz, coordenadora de emergência em Conacri. “Embora não haja cura para a doença, podemos reduzir sua alta mortalidade tratando os sintomas. Isso envolve administrar soro para pacientes que ficaram desidratados por consequência da diarreia e confirmar que eles não tenham outras doenças, como malária ou uma infecção bacteriana, como a febre tifoide.”
 
Embora a taxa de fatalidade da cepa Zaire do vírus Ebola possa alcançar 90%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse número varia de acordo com a evolução de cada epidemia.
 
“Aprendemos, com base em nossas experiências anteriores, que os pacientes que têm um com suporte médico têm de 10 a 15% mais chances de sobreviver. Mas, se ficarem em casa, a taxa de fatalidade chega, geralmente, a 90%”, afirma Michel Van Herp, epidemiologista de MSF no leste da Guiné.
 
Na capital do país, Conacri, MSF estruturou uma unidade de isolamento dentro do hospital Donka, que tem capacidade de 20 leitos. Atualmente, há oito pacientes sendo tratados na unidade. Um treinamento sobre o Ebola, que detalha seus sintomas, as medidas de higiene necessárias e métodos eficazes para a triagem de pacientes, foi organizado para a equipe do hospital Donka. Outro treinamento será organizado em breve por voluntários da Cruz Vermelha para melhorar a administração de funerais e a desinfecção de casas de pessoas contaminadas. A equipe de MSF está, agora, planejando dar início às equipes móveis para investigar alertas de outros potenciais casos da doença na cidade.
 
Em Guéckédou e Macenta, um total de 11 pacientes estão sendo tratados nas unidades de isolamento de MSF. Além do isolamento e tratamento dos doentes, uma atividade importante é a de investigar alertas de potenciais novos casos. Equipes de MSF estão viajando a vilarejos para encaminhar casos suspeitos para unidades de isolamento, e para desinfectar as casas. Outra atividade essencial é o acompanhamento de pessoas que tenham tido contato com doentes.
 
Promover a conscientização sobre a doença é outro aspecto fundamental no controle da epidemia, para que as pessoas saibam como se proteger e evitar a proliferação do vírus. As atividades nesse sentido envolvem espalhar mensagens de saúde sobre higiene básica, como lavar as mãos, que pode reduzir significativamente os riscos de transmissão da doença. As equipes de MSF também estão garantindo a administração correta das práticas durante os funerais, para que as pessoas não sejam contaminadas quando tocarem ou lavarem o corpo de um paciente com Ebola que tenha falecido. MSF também oferece suporte psicológico para as famílias das vítimas, bem como para a equipe médica local.  
 
Atualmente, há dois laboratórios no país – um em Conacri, do Instituto Pasteur, e outro em Guéckédou, do Instituto Bernhard-Nocht de Medicina Tropical – que permitem o teste rápido de casos suspeitos da doença.
“Nós estamos mobilizando todos os recursos disponíveis, mas é preciso ampliar a resposta para combater a epidemia de forma eficiente”, explica Anja Wolz. “É importante que outros atores se mobilizem.”
 
Dois casos foram confirmados na Libéria. MSF está monitorando a situação e está preparada para enviar equipes médicas e material de isolamento para prestar suporte às autoridades de saúde no país, de acordo com o andamento da situação.