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Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: “meu maior sonho é ser capaz de sustentar meu filho e minha avó”

24/07/2020
Confira o relato de Veronica Alejandra, 15 anos, que foi atendida por MSF em uma clínica na Venezuela
Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha: “meu maior sonho é ser capaz de sustentar meu filho e minha avó”

Foto: Adriana Loureiro Fernandez/MSF

No dia 25 de julho, é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. A data foi criada no primeiro Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, que aconteceu na República Dominicana, em 1992.

A realidade das mulheres na região

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a região da América Latina e do Caribe é onde as mulheres mais sofrem violência sexual fora do casamento e tem a segunda maior taxa de violência sexual cometida por parceiros ou ex-parceiros.

Apesar das medidas implementadas pelos países nos últimos anos para responder a esse cenário inaceitável, meninas e mulheres continuam expostas a diversos riscos e não têm seus direitos reprodutivos e sexuais assegurados. Além disso, a data também reconhece que, tratando-se de mulheres negras, a vulnerabilidade é ainda maior.

Conheça a história de Veronica

Veronica Alejandra tem 15 anos e mora na comunidade de “La Quebrada”, em Anzoátegui, na Venezuela, com sua avó, Teddy, e seu bebê, Alexander. Médicos Sem Fronteiras (MSF) administra uma clínica na região desde novembro de 2018, em parceria com uma organização chamada "Fe y Alegria" e com o Ministério da Saúde. A instalação oferece serviços de planejamento familiar, atendimento pré-natal, atendimento pós-natal, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, pediatria e vacinação.

Veronica, Teddy e Alexander vivem em uma pequena casa em condições precárias. A jovem e o filho foram à clínica para os exames médicos do bebê, mas também para a mãe se beneficiar dos serviços de planejamento familiar e de saúde mental.

“Eu adoraria ter uma casa, voltar para a escola um dia e ter um parceiro que me tratasse bem, que criaria comigo um bom ambiente para o meu bebê. Também adoraria trabalhar, qualquer que fosse o trabalho, mas ainda não tenho 18 anos. Meu maior sonho é ser capaz de sustentar meu filho e minha avó. Ela fez muito por mim e por ele”, afirma.

A mãe de Veronica morreu quando ela ainda era pequena e sua avó é responsável financeiramente pela família e pela criação de Alexander. "Quando Veronica me disse que estava grávida, tentei manter a calma. Pensei que teria de apoiá-la da melhor maneira possível", diz Teddy.

“Nossa vida é difícil, por causa da situação econômica do país. Minha neta e meu bisneto nem sempre têm o suficiente para comer. Às vezes, comemos duas ou três vezes por dia, mas na maioria dos dias comemos apenas uma vez. Recebemos caixas de comida subsidiada. Antes de morrer há alguns anos, minha filha era a principal mantenedora da casa."

A atuação de MSF

No mundo todo, MSF leva cuidados de saúde e apoio psicológico para sobreviventes de violência sexual e de gênero; serviços de contracepção e planejamento familiar; sessões de promoção de saúde e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis para trabalhadoras do sexo e realiza mais de 300 mil partos anualmente.

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