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Clínicas móveis no sul do Líbano: primeiro sinal de ajuda após o cessar-fogo

17/08/2006
MSF consegue chegar a vilas que haviam sido isoladas pela guerra e atende a moradores que não conseguiram fugir do conflito

As bombas mal pararam de ser lançadas e as pessoas já estão voltando para Houla em carros lotados. Uma equipe MSF também chegou ao vilarejo no sul do Líbano e está oferecendo atendimento médico por várias horas em uma clínica vazia.

Henk Hammer observa as caixas vazias de remédios para o coração que Abdallah trouxe com ele. Depois de um breve exame, o médico dá ao senhor de 80 anos novas pílulas para as próximas duas semanas. O idoso chora um pouco ao falar dos últimos dias: ele não quer nada a não ser viver em paz, conta. Em seguida, agradece ao médico e se despede várias vezes, dando a vez para o próximo paciente.

Abdallah é uma das centenas de pessoas que estavam presas em Houla. A vila está localizada a apenas um quilômetro da fronteira entre Israel e Líbano – várias casas foram destruídas e muitas ruas estão cheias de escombros. Carcaças de veículos queimados, marcas de balas nas paredes das casas e marcas de tanque fazem lembrar os pesados confrontos. Um míssil explodiu a apenas 40 metros da casa de Abdallah, conta o idoso, mas era muito tarde para escapar. Nos dias que antecederam o cessar-fogo, Houla ficou totalmente isolada do resto do mundo.

A maioria dos pacientes mais velhos chega às clínicas móveis de MSF com queixas crônicas, como dor muscular, reumatismo ou problemas de estômago. As doenças não representam risco de morte, mas muitos dos pacientes têm de lutar contra experiências terríveis vividas nos últimos dias e semanas. "As pessoas estão fracas – muitos deles não conseguiram dormir por algum tempo", explica Henk Hammer. "Por isso é importante para nós chegar até eles o mais rápido possível". O tratamento médico e atenção são o primeiro sinal de ajuda depois de semanas de bombardeio.

Na sala ao lado, Matt Everitt entrega a cada família um kit de higiene, como escova e pasta de dente, sabão, xampu, produtos sanitários e sabão em pó. Para famílias com crianças pequenas, fraldas e papinha também fazem parte do kit. Os especialistas em logística de MSF Austrália organizaram milhares desses pacotes. A equipe colocou todos os kits que puderam dentro dos veículos.

As pessoas em Houla tiveram de sobreviver por várias semanas com o que tinham em casa após o início dos conflitos. Quando isso ocorreu, não lhes sobrou nada – especialmente para aqueles que tiveram as casas destruídas. Matt Everitt está convencido de que o kit de higiene, pelo menos, pode ajudar a acabar com alguns problemas cotidianos. "Se a paz continuar, as famílias e vizinhos vão voltar para casa em alguns dias, as primeiras lojas vão abrir de novo e outras organizações humanitárias vão chegar aqui. Até lá, a distribuição dos kits pode ser um gesto pequeno, mas para as pessoas daqui, significa muito".

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