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Campanha de vacinação contra o sarampo na Guiné

14/02/2014
MSF lança campanha para vacinar 400 mil crianças

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançou na última semana uma campanha de vacinação contra o sarampo em uma tentativa de controlar a epidemia declarada pelo governo da Guiné em 14 de janeiro. Já foram registrados 1.105 casos suspeitos, e 68 deles foram confirmados, o que gerou o medo de uma rápida ascensão no número de infecções.

“O sarampo é uma das doenças mais contagiosas e pode se proliferar rapidamente. Afeta principalmente crianças e pode envolver complicações médicas graves. Por isso, é essencial que algo seja feito para evitar a catástrofe que aconteceu em 2009, quando dez crianças perderam suas vidas”, explica Corrine Benazech, coordenadora-geral de MSF em Conacri.

Em parceria com o Ministério da Saúde, MSF enviou 32 equipes para os bairros de Matam, Matoto e Ratoma, em Conacri. Estabelecidas próximo às pessoas necessitadas, em áreas como centros comunitários, casas particulares e espaços públicos, as equipes de MSF esperam vacinar 394 mil crianças, com idades entre seis meses e dez anos. Durante três semanas, 400 profissionais de MSF e do Ministério da Saúde trabalharão para implementar essa operação de emergência, que demanda uma logística extremamente apurada. As vacinas são gratuitas.
 
MSF estima que durante essa epidemia cerca de 50 crianças infectadas com sarampo corram o risco de desenvolver complicações graves, e potencialmente fatais. Por isso, a organização vai prestar suporte a estruturas de saúde em regiões endêmicas para, inicialmente, oferecer tratamento médico para crianças infectadas com sarampo.
 
“O sarampo e suas complicações podem ser fatais e, por isso, é fundamental que possamos vacinar todas as crianças para protegê-las agora e por diversas décadas futuras”, explica Gemma Dominguez, coordenadora médica em Conacri.
 
O sarampo pode ser evitado por meio de uma vacina segura e efetiva que, quando parte de um programa de vacinação, é dada a crianças de nove meses de idade em diante. Mas, de forma geral, apenas 37% das crianças do país receberam as duas doses da vacina que são necessárias para protegê-las integralmente. Até em Conacri, a cobertura vacinal continua insuficiente, já que apenas 80% da população foi vacinada.
 
Como parte da campanha, MSF vai diagnosticar crianças que estejam doentes para que possam ser tratadas. “Crianças que apresentem sintomas, a começar pela febre alta, precisam ser atendidas por um médico. Isso pode salvar vidas”, explica o Dr. Daloka Delamou, coordenador médico de MSF. O acompanhamento de casos que envolvam complicações também será feito gratuitamente.
 
O governo da Guiné anunciou que o estoque utilizado para as vacinas de rotina estará esgotado por volta do dia 15 de fevereiro e, por isso, pediu o apoio de MSF na organização de uma campanha de vacinação de emergência em três comunidades onde uma epidemia foi declarada.
 
MSF atua na Guiné há 25 anos. Além dos projetos regulares que envolvem a provisão de tratamento de pessoas com Aids, a organização oferece suporte regular ao governo da Guiné em resposta a emergências e epidemias.

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