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Atendimento psicológico se mostra essencial no Haiti

27/11/2008
Desastres deixaram 800 mil desabrigados e quase 800 mortos – quase metade dos que morreram estava em Gonaïves

Saúde mental. Esta é uma grande preocupação de Médicos Sem Fronteiras (MSF) hoje no Haiti. O país foi arrasado em apenas 30 dias após a passagem de dois furacões e duas tempestades tropicais, entre agosto e setembro deste ano. Os desastres mataram 793 pessoas e deixaram cerca de 800 mil pessoas desabrigadas ou incapazes de se alimentar. Quase metade dos que morreram residiam em Gonaïves, a quarta maior cidade haitiana, que ficou completamente inundada e teve grande parte de suas construções completamente destruídas ou danificadas.

Percebendo a demanda por atendimento psicológico, MSF insituiu o projeto psicossocial. Após passagem do furacão Jeanne em 2004, a população do Haiti já estava bastante fragilizada e a organização viu a necessidade de integrar os serviços médicos já prestados aos de saúde mental, de forma a diminuir o impacto dos seguidos desastres na vida da população haitiana. É nesse contexto que trabalha a psicóloga brasileira Débora Noal, que está em sua primeira missão.

Segundo ela, o projeto trabalha com clínicas móveis também em cidades e aldeias ao redor de Gonaïves. Pacientes que sofrem de distúrbios psicológicos, violência ou problemas relacionados ao desenvolvimento infantil são o foco dos profissionais de MSF. As clínicas móveis possibilitam o acompanhamento desses pacientes e identificam locais em que há necessidade de visitas semanais. Uma das maiores preocupações dos profissionais reside nas crianças, por causa da destruição de grande parte das casas e escolas.

Mesmo depois de a água baixar no fim do mês de setembro, a cidade está coberta de lama e os danos à infra-estrutura, que já era precária, se revelam profundamente graves. Estradas obstruídas por deslizamentos, hospitais e escolas destruidos e falta de água potável são apenas alguns dos problemas hoje enfrentados pela população haitiana, que em sua maioria vive com menos de US$2 por dia.

Médicos Sem Fronteiras está no Haiti desde 1991 e hoje conta com equipes médica, psicossocial, de distribuição de água, promoção de saúde, logística e de administração para lidar com os efeitos da passagem dos furacões Gustav e Ike e das tempestades tropicais Hanna e Fay.