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Afeganistão: intensificação do conflito restringe acesso de pacientes a hospital de Helmand

12/08/2016
Confrontos, estradas bloqueadas e barreiras impedem que pacientes procurem atendimento médico a tempo
Afeganistão: intensificação do conflito restringe acesso de pacientes a hospital de Helmand

Foto: Kate Stegeman/MSF

À medida que confrontos se aproximam dos distritos da periferia de Lashkar Gah, capital da província de Helmand, no Afeganistão, doentes e feridos lutam para conseguir chegar ao hospital Boost, uma instalação de saúde de 300 leitos mantida pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em parceria com o Ministério da Saúde afegão.

Durante a última década, a província de Helmand tem sido cenário de conflitos entre o governo e forças de oposição. Esse é um dos principais impedimentos para as pessoas que procuram cuidados de saúde vitais. 

“A intensificação e a aproximação dos confrontos evidentemente estão limitando o acesso ao hospital”, disse Guilhem Molinie, representante de MSF no Afeganistão. “Como consequência imediata dos confrontos, um em cada quatro pacientes atualmente não consegue chegar a nossa sala de emergência.”

Equipe médica atende criança no hospital de Boost, em Lashkar Gahr (Foto: Kate Stegeman / MSF)Pacientes relatam que estradas estão bloqueadas e que barreiras estão atrasando a chegada ao hospital. Em agosto, uma média de 25 pacientes por dia, a maioria deles crianças com menos de 5 anos de idade, foram hospitalizados na ala de tratamento de desnutrição. Esse número é significativamente menor do que o habitual nessa época do ano.   

“Números baixos de admissões de pacientes com desnutrição são especialmente preocupantes”, frisa Molinie. “A demora em tratar a desnutrição pode dificultar o desenvolvimento de crianças e até ser fatal. Essa é uma das principais causas de mortalidade infantil em Helmand. Mesmo sem os atrasos relativos ao conflito, as crianças normalmente chegam ao hospital Boost tarde demais e em situação crítica.”

MSF preparou um plano de gestão de vítimas em massa caso haja um influxo repentino de pacientes feridos nos confrontos, com estoque de materiais e protocolos de triagem. Continuaremos oferecendo tratamento às pessoas independentemente de suas afiliações políticas, étnicas, religiosas ou quaisquer outras associações.

MSF compartilhou as coordenadas e informações relativas a todas as suas instalações em Lashkar Gah com todas as partes envolvidas no conflito, da mesma forma que foi feito em Kunduz no ano passado. MSF tem uma política rigorosa contra armas e todas as pessoas que entram em nossos hospitais devem depositar as suas armas em um armário de segurança.

MSF começou a trabalhar no Afeganistão em 1980. Em nossos projetos, equipes locais e internacionais trabalham juntas para garantir a melhor qualidade de tratamento. MSF apoia o Ministério Público de Saúde no hospital Ahmad Shah Bababa, no leste de Kabul; na maternidade Dasht-e-Barchi, no oeste de Kabul, e no hospital Boost em Lashkar Gah, na província de Helmand. Em Khost, no leste do país, MSF dirige um hospital-maternidade. MSF planeja abrir um centro de tratamento e diagnóstico para pacientes com tuberculose multirresistente em Kandahar ainda neste ano. MSF conta somente com financiamento privado em seu trabalho no Afeganistão e não aceita nenhum dinheiro vindo de governos.

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