Você está aqui

Uma experiência edificante na Nigéria

Enfermeira trabalhou por cinco meses com o treinamento da equipe de enfermeiros
13/07/2016
Uma experiência edificante na Nigéria

Foto: Arquivo pessoal

Foram cinco meses em Maiduguri, na Nigéria, trabalhando com Médicos Sem Fronteiras (MSF) no treinamento de enfermeiros. Cinco meses que terminam no final desta semana. Posso dizer que este não foi o projeto mais difícil nem o mais fácil; foi diferente. Apesar de a condição de vida das pessoas ser um pouco melhor do que no projeto em que trabalhei no Sudão do Sul, os problemas foram os mesmos: desnutrição, malária e sarampo. Doenças que já deveriam ter sido erradicadas.

O objetivo do projeto é atender crianças de até cinco anos com desnutrição e oferecer serviços pediátricos em geral. Também tem uma maternidade com leitos para observação e parto. Todos os dias, chega uma nova criança ao programa de desnutrição. É feito um acompanhamento até que a criança atinja o peso ideal e possa receber alta.

O que julgo mais interessante nesse trabalho é a organização, porque é muita gente. São mais de 100 pacientes todos os dias, e eles recebem recomendações e assistem às palestras de promoção de saúde, além de serem vacinados. Na unidade de saúde, essas palestras são feitas na sala de peso e medida das crianças, que ali também são registradas e testadas para malária.

Na maternidade, as coisas também são movimentadas: cerca de 150 mulheres são atendidas diariamente. O mais tocante é observar a parteira de pré-natal passando informações sobre os cuidados durante a gestação e conselhos em geral para as mães com enorme entusiasmo. Sem falar que a sala de parto normal é de fazer inveja a muito país desenvolvido!

O meu papel, especificamente, foi o de comparecer todos os dias às três unidades de saúde da cidade para observar o trabalho desenvolvido pelos profissionais de enfermagem e reservar tempo para conversar com eles e discutir a oferta de cuidados de forma geral e os protocolos de MSF, a fim de garantir a melhor qualidade dos serviços. Enfrentei dificuldades, claro, como a distância entre essas unidades em meio a uma cidade tão grande quanto Bolori; diante da escassez de recursos, na falta de um projetor para os cursos que eu dava, improvisei apostilas e recebi alguns livros online de Paris. Mas o maior desafio mesmo foi suportar o calor seco e sufocante que chegava aos 45 graus.

Tive o prazer de ser tocada por uma pessoa especial durante minha estadia no projeto: Auwal Bazam Adamu é enfermeiro e me impressionou a capacidade que tem de mobilizar pessoas. Todos os dias, antes de os portões da unidade se abrirem, as pessoas são agrupadas nas salas de espera de cada um dos departamentos: pediatria geral, desnutrição e doenças infecciosas. Auwal, há três anos, é a pessoa que fala sobre prevenção e cuidados com a saúde em geral com esses grupos. Acho que esse trabalho é o mais importante que alguém que acredita em saúde pública pode fazer. Foi emocionante ver como ele se interessa no bem-estar da comunidade.

A experiência de trabalhar com essas pessoas foi edificante. Não sei quem aprendeu mais, mas tenho a impressão de que fui eu.