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Natureza e tranquilidade

24/03/2013

Parte 2 - Niangara, 24 de março de 2013
 
Uma das melhores coisas quando estamos num lugar isolado, longe de casa e daqueles que amamos, é que acabamos prestando mais atenção ao mundo e damos mais valor a tudo aquilo que nos rodeia. Niangara é um local perdido no meio do nada, onde até o mercado é distante (30 minutos de caminhada), há pouquíssima coisa e acontece apenas aos domingos. Por outro lado, estamos no meio de uma floresta, com árvores frutíferas e muitas espécies de hortaliças, no nosso quintal há mangueiras e mamoeiros, que, muito em breve, darão frutos. Também temos animais por toda parte, cabras, carneiros, porcos, todos soltos pela rua e, algumas vezes, pastando na frente do hospital.
 
Ontem, fui correr e é maravilhoso correr no meio da floresta. Apesar do calor, fica fresco com a sombra das árvores e ainda dá para admirar a paisagem, ouvir os pássaros e fotografar as flores que nascem no alto das árvores.
 
Hoje, fui ao mercado e, apesar da pouca diversidade de produtos em geral, fiquei maravilhada com a variedade de tecidos que encontramos; um mais bonito que outro. São coloridos, de algodão, e é claro que vendidos a preços supervalorizados, uma vez que isso é luxo por aqui.
 
À tarde, tivemos um piquenique organizado pelo pessoal do hospital, à beira do rio, que fica a 20 minutos de caminhada de onde moramos, com muito verde e muito sossego. Foi superssimpático! Eles levaram batatas doces fritas, amendoim e bananas fritas, colocaram a música local e passamos bons momentos.
 
Agora à noite, eu fiz mandioca frita para o grupo no fogão à lenha - nunca imaginei que fosse cozinhar num fogão à lenha - e as italianas preparam uma pasta ao pesto, com manjericão fresquinho vindo do nosso quintal.
 
A semana passou superrápido. Estive todos os dias no hospital, fiquei de plantão duas noites e nas outras fui dormir tarde, lendo todos os relatórios e documentos sobre o projeto. Mas é muito bom poder viver num local tranquilo, em contato com a natureza, e, melhor ainda: ver que, apesar de todas as dificuldades, os moradores de Niangara, os trabalhadores do hospital, sabem aproveitar essas dádivas e dividi-las com os outros, como os bons momentos que passamos nessa tarde.

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