A doença pelo vírus Ebola é uma infecção grave e frequentemente fatal em seres humanos. A letalidade pode ultrapassar os 50%, dependendo da espécie de vírus.

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, em dois surtos simultâneos: um em Nzara (no atual Sudão do Sul) e outro em Yambuku (na República Democrática do Congo), próximo ao rio Ebola, que deu nome à doença.

Desde então, a maioria dos surtos ocorreu em comunidades da África Central e Ocidental. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam significativamente as chances de sobrevivência.

A doença é causada por vírus do gênero Orthoebolavirus. Atualmente, são conhecidas seis espécies do vírus, sendo que algumas desencadeiam quadros muito mais graves em humanos.

1.

Transmissão

De animais para humanos: a infecção inicial acontece pelo contato direto com o sangue, fluidos ou tecidos de animais infectados. Os transmissores mais prováveis são os morcegos frugívoros, mas o vírus também afeta primatas (como chimpanzés e gorilas) e outros mamíferos silvestres.

Entre humanos: a transmissão ocorre principalmente pelo contato direto (através de pele lesionada ou membranas mucosas dos olhos, nariz e boca) com:

  • Fluidos corporais de uma pessoa infectada (sangue, vômito, fezes, urina, saliva ou sêmen).
  • Objetos e superfícies contaminados por esses fluidos (roupas, lençóis, agulhas).
  • Práticas de sepultamento que envolvam o contato direto com o corpo de alguém que faleceu em decorrência da doença.

Fato importante: pessoas infectadas não transmitem o vírus antes do início dos sintomas. O Ebola também não é transmitido pelo ar, pela água ou por alimentos cozidos de forma geral.

O vírus pode persistir no sêmen por vários meses após a recuperação clínica do paciente, tornando necessária também a prevenção por transmissão sexual nesse período.

2.

Sintomas

O período de incubação (tempo entre a infecção e o aparecimento dos sintomas) varia de 2 a 21 dias.

Fase Inicial (frequentemente confundida com outras doenças como a malária):

  • Febre súbita e intensa
  • Fraqueza extrema e dores musculares
  • Dor de cabeça e dor de garganta

Fase Avançada:

  • Vômitos e diarreia severa
  • Dor abdominal
  • Erupções cutâneas (manchas na pele)
  • Mau funcionamento dos rins e do fígado
  • Em casos graves, sangramentos internos e externos

3.

Diagnóstico

A confirmação da doença é feita por testes laboratoriais especializados, como a reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa (RT-PCR); ensaios imunoenzimáticos (ELISA), testes de detecção de antígenos ou isolamento do vírus em cultura celular.

Como as amostras de sangue representam um alto risco biológico, os testes são realizados em laboratórios com nível máximo de biossegurança, seguindo protocolos internacionais rígidos de transporte e contenção.

4.

Tratamento

O manejo do Ebola avançou muito. Hoje, a abordagem médica combina o suporte clínico essencial com ferramentas biotecnológicas modernas:

  • Cuidados de suporte: hidratação intensiva (oral ou venosa), controle da pressão arterial, oxigenação, manejo da dor e tratamento imediato de infecções secundárias (como a malária).
  • Terapias Específicas: para infecções causadas pelo vírus da espécie Zaire, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso de anticorpos monoclonais específicos, que reduzem drasticamente a mortalidade.
  • Vacinas: existem duas vacinas aprovadas para conter surtos da espécie Zaire – a Ervebo e e a Zabdeno/Mvabea.

Interromper a transmissão exige uma estratégia integrada que respeite a dignidade humana. Isso inclui engajamento comunitário; isolamento médico humanizado para pessoas com suspeita ou confirmação da doença; sepultamento dignos e seguros; rastreamento de contatos; proteção das equipes de saúde, com uso rigoroso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

5.

Atividades

No final de 2016, MSF encerrou seus últimos projetos de resposta ao maior surto de Ebola da história, na África Ocidental. A lenta resposta internacional à epidemia, que teve início em março de 2014, teve um alto custo humano: 28.700 pessoas foram infectadas e 11.300 homens, mulheres e crianças morreram.

Mesmo depois de curadas, as pessoas infectadas sofreram não apenas com o estigma e problemas de saúde mental, mas também com problemas oftalmológicos, neurológicos e nas articulações.

Contexto atual: em maio de 2026, a OMS declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional, a partir de um surto de Ebola na República Democrática do Congo, com casos confirmados também em Uganda. Este surto é causado pela espécie Bundibugyo, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos disponíveis, reforçando a necessidade urgente de uma pronta resposta.

 

Entenda mais sobre a luta contra o Ebola

 

Esta página foi atualizada em maio de 2026.

 

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