Surto de Ebola: o que você precisa saber

Entenda sobre a doença, sintomas, os desafios no tratamento, medidas de prevenção e o que MSF está fazendo para responder à emergência

Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma, na República Democrática do Congo. Foram adotadas medidas preventivas antes da entrada no local, onde são analisadas amostras de pessoas com suspeita de Ebola. ©Daniel Buuma

A República Democrática do Congo (RDC) declarou oficialmente um surto de Ebola em 15 de maio, na província de Ituri, no nordeste do país. Dois dias depois, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a situação como uma emergência global de saúde pública. 

Segundo o Ministério da Saúde da RDC, até o momento há 536 casos suspeitos e 134 mortes registradas. O surto atual é causado pelo vírus Bundibugyo, uma cepa menos comum do Ebola e para a qual ainda não existe vacina aprovada. 

Entenda abaixo sobre a doença, como ocorre a transmissão, quais são os desafios para conter o surto e o que Médicos Sem Fronteiras (MSF) está fazendo para responder à emergência. 

 

O que é o Ebola? 

A doença do Ebola é uma febre hemorrágica viral infecciosa. Ela é causada por qualquer vírus do gênero Orthoebolavirus. Ao contrário da maioria dos surtos de Ebola anteriores na RDC, este é provocado pelo vírus Bundibugyo. 

Trata-se do terceiro surto detectado envolvendo o vírus Bundibugyo, após os surtos ocorridos na Uganda, entre 2007 e 2008, e na RDC, em 2012.  

A taxa de letalidade estimada do vírus Bundibugyo está entre 25% e 40%. 

 

Quais são os principais sintomas? 

Os sintomas iniciais podem incluir febre, cansaço, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta.  

Eles podem ser seguidos por vômitos, diarreia, erupções cutâneas e, em alguns casos, sangramento.  

Qualquer pessoa com sintomas deve procurar atendimento médico imediatamente e evitar o contato com outras pessoas. 

  • Nos ajude a continuar agindo nesta e em outras emergências: DOE AGORA!

 

Como é a transmissão? 

O Ebola pode ser transmitido tanto por animais quanto por pessoas. 

De animais para humanos: a infecção inicial acontece pelo contato direto com o sangue, fluidos ou tecidos de animais infectados. Os reservatórios naturais mais prováveis são os morcegos frugívoros, mas o vírus também afeta primatas (como chimpanzés e gorilas) e outros mamíferos silvestres. 

Entre humanos: a transmissão ocorre principalmente pelo contato direto (através de pele lesionada ou membranas mucosas dos olhos, nariz e boca) com: 

  • Fluidos corporais de uma pessoa infectada (sangue, vômito, fezes, urina, saliva ou sêmen). 
  • Objetos e superfícies contaminados por esses fluidos (roupas, lençóis, agulhas). 
  • Práticas de sepultamento que envolvam o contato direto com o corpo de alguém que faleceu em decorrência da doença. 

Fato importante: pessoas infectadas não transmitem o vírus antes do início dos sintomas. O Ebola também não é transmitido pelo ar, pela água ou por alimentos cozidos de forma geral. 

 

Há tratamento? 

Atualmente, não existe um tratamento aprovado para a doença do Ebola causada pelo vírus Bundibugyo. 

O cuidado aos pacientes se concentra no controle dos sintomas e no aumento das chances de sobrevivência. Isso inclui: 

  • Reposição de líquidos; 
  • Oxigenoterapia; 
  • Monitoramento constante dos sinais vitais, além dos parâmetros sanguíneos e cardíacos. 

Há medicamentos antivirais e terapias com anticorpos monoclonais em estudo, que ainda precisam ter sua eficácia comprovada em ensaios clínicos. Autoridades de saúde da RDC, a OMS e a empresa responsável pela terapia estão discutindo os próximos passos para iniciar esse processo. 

 

Quais ferramentas de diagnóstico estão disponíveis? 

Esse é outro grande desafio na resposta ao surto. Os testes de PCR usados para diagnosticar o Ebola precisam de kits específicos para identificar cada tipo de vírus. 

Atualmente, há escassez de kits para detectar o vírus Bundibugyo, o que atrasa a confirmação dos casos e dificulta medidas importantes, como o rastreamento de contatos e o isolamento dos pacientes. 

 

Existe vacina que previna o vírus Bundibugyo? 

Atualmente, não há vacina aprovada especificamente para o vírus Bundibugyo. 

Para o vírus da espécie Zaire, duas vacinas já foram aprovadas: Ervebo, da Merck, e Zabdeno/Mvabea, da Janssen.  

Estudos feitos com primatas indicam que a vacina Ervebo pode ajudar a prevenir mortes causadas pelo vírus Bundibugyo, com eficácia estimada em cerca de 75%. Os resultados são promissores, mas ainda são necessários ensaios clínicos em humanos. 

Além disso, o estoque global da vacina Ervebo é limitado: há cerca de 500 mil doses disponíveis no mundo. 

 

Sem vacina, há outras formas de prevenção? 

Sim. Mesmo sem vacinas, a prevenção do Ebola depende de medidas de saúde pública e da participação das comunidades.  

Entre as principais ações estão o isolamento seguro e humanizado de pessoas doentes, o uso rigoroso de equipamentos de proteção pelas equipes de saúde, o rastreamento de contatos de casos confirmados e a realização de sepultamentos dignos e seguros, evitando contato direto com o corpo.  

O engajamento comunitário também é essencial para adaptar as medidas de prevenção à realidade local e aumentar a confiança da população. 

 

Qual é a atual situação do surto? 

Os primeiros casos foram registrados há algumas semanas, mas a situação ainda é incerta e muda rapidamente. Uma das principais preocupações é a falta de testes diagnósticos e a subnotificação de casos, o que dificulta ter uma dimensão real do surto. 

A região afetada enfrenta altos níveis de insegurança e intenso deslocamento de pessoas entre fronteiras com o Sudão do Sul e Uganda, impulsionado pelo conflito armado, pela mineração e pelo comércio. Isso pode acelerar a transmissão do vírus e dificultar os esforços para controlar o surto. 

Outro desafio é que muitas unidades de saúde já operam com poucos recursos e estão sobrecarregadas, sem condições adequadas para prevenir e controlar casos de Ebola. 

 

Há riscos de o surto chegar ao Brasil? 

Até o momento, o risco de o surto chegar ao Brasil é considerado baixo*. A própria OMS não recomenda fechamento de fronteiras, restrições de viagens ou triagens especiais em aeroportos fora das áreas afetadas, porque não há evidências de que essas medidas sejam necessárias. 

Ainda assim, autoridades de saúde devem manter vigilância ativa, informar viajantes sobre os riscos e estar preparadas para identificar rapidamente possíveis casos importados.  

A experiência mostra que informação de qualidade, monitoramento e resposta rápida são mais eficazes do que restrições de viagem para evitar a propagação da doença. 

 

O que MSF está fazendo neste momento? 

MSF está mobilizando equipes que estão na província de Ituri, na RDC, para ampliar os esforços de resposta à doença, apoiando o trabalho que está sendo feito pelas autoridades do país. 

Estamos preparando profissionais médicos, logísticos e de apoio com experiência em surtos de febre hemorrágica viral, bem como suprimentos essenciais. 

Também trabalharemos para garantir que medidas de prevenção rigorosas sejam implementadas em nossos projetos existentes, a fim de proteger nossas equipes, nossos pacientes e o acesso aos cuidados de saúde. 

*Essa resposta foi elaborada com informações disponíveis no momento da publicação deste conteúdo, em 19 de maio de 2026. 

Compartilhar

Relacionados

Como ajudar