Em meio à escalada do conflito, as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Mali continuaram oferecendo atendimento essencial às pessoas afetadas pelo deslocamento e pela violência, além de manter serviços de saúde essenciais, especialmente para mulheres e crianças. 

 

Em 2025, milhares de famílias foram deslocadas em razão de ataques deliberados contra comunidades e de confrontos violentos entre o Exército do Mali, seus aliados e grupos armados não estatais. As equipes de MSF que atuavam nas regiões de Niafunké, Kidal, Ténenkou, Nampala e Koro relataram que a maioria dessas famílias foi deslocada para áreas com pouco acesso aos serviços de saúde e a outras assistências básicas. 

Mantivemos nossas atividades regulares ao longo de todo o ano, apoiando unidades de saúde na oferta de atendimento pediátrico, cuidados de saúde materna, assistência nutricional, serviços de saúde sexual e reprodutiva e cirurgias de emergência para vítimas da violência. Também doamos medicamentos e suprimentos médicos. À medida que os ataques se intensificaram em 2025, atendemos muitos pacientes com ferimentos relacionados à violência. 

Em Koro, prestamos assistência a refugiados de Burkina Faso, oferecendo cuidados médicos básicos, distribuindo kits com itens de uso doméstico, como sabão e utensílios para cozinhar, e construindo pontos de abastecimento de água, latrinas e chuveiros.  

Também capacitamos profissionais de saúde e reabilitamos unidades de saúde nos distritos sanitários de Niono, Niafunké, Ténenkou e Douentza. Além disso, mantivemos serviços comunitários de saúde para pessoas que vivem em áreas remotas e enfrentam dificuldades para acessar atendimento médico.  

Na capital, Bamako, trabalhamos em parceria com o Ministério da Saúde para aprimorar o diagnóstico e o tratamento de mulheres com câncer de mama e do colo do útero. Esse trabalho incluiu a oferta de quimioterapia no hospital Point G. 

Em setembro, o Groupe de Soutien à l’Islam et aux Musulmans impôs um bloqueio que impediu a entrada de combustível proveniente de países vizinhos. Isso teve diversas consequências para nossas atividades médicas: algumas pessoas não conseguiram chegar às unidades de saúde em busca de atendimento; os encaminhamentos de pacientes ficaram mais lentos e caros; e alguns hospitais enfrentaram interrupções no fornecimento de energia elétrica. 

Apesar dessas dificuldades e de outros desafios, como as restrições de acesso e os ataques físicos, nossas equipes fizeram todo o possível para manter as atividades em todo o país. A redução do financiamento internacional e a retirada de várias organizações humanitárias agravaram ainda mais a escassez de serviços e de assistência.

Dados referentes a 2025

2.430

Intervenções cirúrgicas

820

pessoas tratadas por violência física intencional

46 milhões de euros

Despesas

582.500

Consultas ambulatoriais

63.800

pacientes internados em hospital

1.457

Equivalente em tempo integral

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