Síria: mais de 50 mortos em ataque contra hospital em Aleppo

MSF afirma que a situação permanece crítica na cidade síria, que foi totalmente bombardeada

Síria: mais de 50 mortos em ataque contra hospital em Aleppo
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É com profunda tristeza que a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirma, até o momento, a morte de mais de 50 pessoas – incluindo pacientes e ao menos seis profissionais médicos – após os ataques aéreos contra o hospital Al Quds apoiado por MSF em Aleppo, na Síria. A instalação e áreas ao seu redor foram atingidas na noite do dia 27 de abril por bombardeios que não pouparam nenhuma parte da cidade.

“O céu está caindo em Aleppo. A cidade, onde têm se instalado consistentemente as frentes de batalha desse conflito brutal, agora está sob o risco de sofrer uma ofensiva completa, sem que lugar algum seja pouopado”, diz Muskilda Zancada, coordenadora-geral de MSF na Síria. “Ataques contra hospitais e profissionais médicos são um indicador devastador de como a guerra na Síria está sendo travada, uma das inúmeras maneiras brutais por meio das quais os civis estão sendo alvejados.”

Esta não é a primeira vez que o hospital Al Quds é atingido por bombas; a instalação já foi prejudicada e parcialmente destruída algunas vezes. A última delas foi em 2015. Além do Al Quds, MSF recebeu relatos de que outro centro de saúde, que não recebe o apoio da organização, também foi atingido.

“MSF apoia o hospital Al Quds desde 2012. Tem sido uma grande honra para nós poder trabalhar de maneira tão próxima com pessoas tão dedicadas”, diz Zancada. “Nós vemos dia sim dia não o quanto eles arriscam suas vidas em meio ao inferno dessa guerra, para garantir que a população possa ter acesso a cuidados médicos. Sua perda é nossa perda, e nós continuamos comprometidos em ajudar o hospital a retomar as atividades.”

Agora, MSF está desesperadamente preocupada com a situação das cerca de 250 mil pessoas que enfrentam a ameaça crescente de ficarem completamente isoladas, sem acesso a cuidados médicos.

“O ataque contra o hospital Al Quds destruiu um dos últimos locais em Aleppo onde se poderia encontrar humanidade. Aleppo já é um fragmento do que era antes; e esse último ataque parece determinado a eliminar até mesmo isso”, acrescenta Zancada.

MSF gostaria de atestar o trabalho heroico de médicos sírios em todo o país, que continuam tentando tratar suas comunidades em condições inimagináveis. O hospital solicitou apoio em termos de equipamentos médicos e medicamentos, e MSF está empenhada em ajudar nisso e em sua reconstrução.

MSF mantém seis instalações médicas no norte da Síria e apoia mais de 150 hospitais e centros de saúde no país, entre eles, o hospital Al Quds. A organização presta suporte à instalação desde 2012 com doações irregulares e desde 2014 com doações regulares de medicamentos.
 

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