Ataques no Iêmen afetam o acesso da população a cuidados de saúde

A cada ataque perto do hospital, número de pacientes diminui, pois as pessoas têm medo de perder suas vidas enquanto procuram atendimento médico

Entrada do Hospital Geral de Mocha. Maio de 2026. © Aseel Murshed Ali/MSF
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Nos últimos dias, as equipes de Médicos Sem Fronteiras (MSF) nas cidades de Aden e Mocha, no Iêmen, foram expostas a uma série de incidentes que restringiram ainda mais o acesso humanitário e a cuidados de saúde.   

Na manhã desta segunda-feira (26/10), três ataques atingiram a região costeira de Mocha. Um deles aconteceu a apenas 150 metros do Hospital Geral de Mocha, onde nossas equipes trabalham nos setores de maternidade e pediatria. Embora todos os profissionais e pacientes estejam em segurança, o ataque causou danos ao prédio — uma estrutura já fragilizada por anos de explosões recorrentes —, o que pode comprometer sua integridade a longo prazo.  

O ataque também gerou pânico entre pacientes, profissionais de saúde e civis, limitando ainda mais o acesso seguro aos serviços de saúde. Tais incidentes impedem que pacientes busquem atendimento hospitalar por medo de perder a vida: a cada ataque perto do hospital, observamos uma queda no número de pessoas que procuram assistência. 

Poucos dias antes, um míssil havia atingido as imediações do aeroporto de Aden, enquanto uma aeronave de MSF se preparava para decolar em um voo de rotina para transportar profissionais humanitários. O avião precisou permanecer em solo, e a equipe foi orientada a não embarcar, buscando, em vez disso, abrigo dentro das instalações aeroportuárias.  

O aeroporto de Aden é o principal ponto de entrada para profissionais humanitários, suprimentos e equipamentos médicos destinados ao sul do Iêmen. Portanto, garantir o acesso seguro a ele é fundamental. 

Esses incidentes, entre outros, expõem MSF e outras organizações humanitárias no Iêmen a riscos crescentes, impactando diretamente a capacidade de realizar operações de emergência para atender a população — justamente em um momento em que as necessidades são críticas e a oferta de assistência humanitária é essencial. 

Reiteramos a todas as partes em conflito que os trabalhadores humanitários e de saúde, assim como as unidades médicas, os pacientes e o acesso destes últimos aos cuidados de saúde, devem ser protegidos. 

 

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