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Violência e negligência na remota região nordeste do Sudão do Sul

01/06/2019
Nyamach levou sua filha para receber atendimento em nosso hospital em Ulang
Violência e negligência na remota região nordeste do Sudão do Sul

Foto: Igor G. Barbero / MSF/

Após uma resposta de emergência de curto prazo, Médicos Sem Fronteiras (MSF) decidiu, em abril de 2019, iniciar um projeto estável em Ulang, na região do Alto Nilo, no Sudão do Sul, onde estabeleceu um hospital de 30 leitos e um sistema de encaminhamento. Ulang é uma área remota perto da fronteira com a Etiópia, onde as pessoas viveram anos de guerra e estão sujeitas a ataques frequentes de conflitos intercomunitários. Antes da chegada de MSF, não havia cuidados de saúde secundária disponíveis para as cerca de 100 mil pessoas da região.

Nyamach, de Ulang, 20 anos, é mãe de três filhos. Sua filha mais nova, uma menina de cinco anos, foi internada no hospital de MSF no final de março com convulsões e febre, e foi diagnosticada com malária cerebral. A criança também tinha uma ferida que causou uma infecção por tétano. A cobertura de vacinação entre a população local é baixa.

“Quando chegamos ao hospital, minha filha estava em estado grave. Agora, ela está melhor. Eu havia visitado outras instalações de saúde, mas não houve melhora.

Antes de MSF chegar a Ulang, muitas pessoas perderam suas vidas – como pessoas feridas em tiroteios ou aquelas que sofriam de doenças graves. Para receber tratamento médico no passado, às vezes, precisávamos ir à Etiópia.

Nós ganhamos a vida pescando, criamos gado e cultivamos milho, sorgo e folhas verdes. Na estação de chuvas, colocamos sementes no solo e elas crescem, então temos mais comida. No entanto, faltam itens básicos como utensílios de cozinha e materiais adequados para dormir. Por causa dos combates, enfrentamos muitas dificuldades. A guerra nos deixou sem nada – nem mesmo sementes.

Durante três anos, refugiei-me na Etiópia e vivi no campo de refugiados de Kule. Decidimos sair daqui, do Sudão do Sul, porque não havia escolas ou serviços de saúde e a violência estava nos afetando. Eu estava com medo. Voltei para cá em janeiro de 2018 com nove parentes. Outras pessoas decidiram voltar a Ulang depois de saberem que MSF está aqui agora. Voltamos de carro – levou três dias. Espero que a situação permaneça calma. Pelo menos na estação de chuvas [entre maio e dezembro] as pessoas ficam em casa e não correm umas atrás das outras.”

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