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Venezuela: controlando os mosquitos para prevenir a malária

04/09/2021
A incidência de casos de malária diminuiu 80% nas áreas onde as equipes de MSF trabalham junto com as autoridades locais no estado de Sucre, no Nordeste do país.
Venezuela: controlando os mosquitos para prevenir a malária

Foto: Matias Delacroix/MSF

O biólogo Melfran Herrera estuda um mosquito Anopheles sob um microscópio. Ele remove cuidadosamente os ovários para ver se colocou ou não ovos. Se sim, é um mosquito “velho” que já consumiu sangue, provavelmente está infectado e pode se tornar um transmissor da temida malária.

Melfran tem mais de 20 anos de experiência como especialista no controle de doenças transmitidas por insetos. Ele trabalha como supervisor de controle de vetores em Médicos Sem Fronteiras (MSF) no estado de Sucre, no Nordeste da Venezuela, onde MSF apoia as autoridades regionais de saúde na luta contra a malária.

A doença estava quase sob controle na Venezuela na década de 60, mas teve um grande retorno nos últimos anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 400 mil casos foram diagnosticados em 2017, o que torna a Venezuela um dos países mais afetados da América Latina.

Sucre é uma das regiões com maior incidência de malária no país. Desde 2019, MSF trabalha nas comunidades de Yaguaraparo, Coicual, Putucual, Guaca, Caño Ajíes, Agua Clarita e San Vicente, onde a prevalência da doença é particularmente alta.

As autoridades locais de saúde e MSF estão se concentrando em três atividades principais: diagnóstico e tratamento, promoção de saúde e controle de vetores. O último se refere à prevenção da transmissão de doenças pelos insetos que as carregam, os chamados vetores. A execução pode ser complexa porque, para que as medidas sejam eficazes, as equipes precisam saber absolutamente tudo sobre esses mosquitos.

Etapas do controle de vetores e trabalho conjunto com equipes médicas

O primeiro passo é localizar possíveis criadouros. A equipe de controle de vetores visita riachos e lagoas perto de onde os casos de malária são encontrados para coletar amostras de água e confirmar a presença e densidade de larvas do mosquito Anopheles. Em seguida, os profissionais vão às casas da população local para seguir e prender os mosquitos com o objetivo de estudá-los. As informações que procuram incluem determinar quais espécies estão presentes, seu número, expectativa média de vida, a hora preferida do dia em que picam e se os mosquitos entram nas casas e pousam nas paredes.

Depois de ter todas essas informações, os resultados são analisados para desenvolver estratégias de controle de vetores eficazes e sustentáveis. Isso pode englobar o tratamento de lagos com biolarvicidas, o estabelecimento de horários para pulverizar as paredes dentro das casas das pessoas e a distribuição de mosquiteiros.

As equipes médicas dos postos de saúde locais e da Maternidade de Carúpano complementam esse trabalho com a detecção precoce e tratamento da malária, enquanto os profissionais de promoção de saúde reforçam as mensagens relacionadas ao cuidado e prevenção. A combinação de todas essas medidas levou a uma redução significativa dos casos de malária.

Foto: Matias Delacroix/MSF

Redução de 80% no número de casos de malária

A incidência de quadros da doença diminuiu 80% nas áreas onde as equipes de MSF trabalham desde 2019. No primeiro semestre de 2021, 1.641 casos de malária foram notificados nesses locais, em comparação com os 8.566 no mesmo período em 2019.

Noble Garcia trouxe seu neto à clínica em San Vicente, área rural do estado de Sucre, para fazer o teste de malária. O menino apresenta sintomas da doença, e não é a primeira vez que isso acontece. Nos últimos anos, Noble teve a doença pelo menos três vezes e seu neto, uma. Porém, ela diz que a situação mudou no ano passado. “Não se vê mais tantas pessoas com malária”, diz a mulher. “Sabemos cuidar de nós mesmos quando estamos doentes, e aqui recebemos tratamento”.

A equipe da clínica ambulatorial apoiada por MSF coletou sangue a partir de um furo no lóbulo da orelha do menino para verificar se ele estava infectado; o resultado foi positivo. O quadro do menino representa um dos 200 milhões de casos de malária diagnosticados em todo o mundo a cada ano, mas, felizmente, foi diagnosticado cedo. Ele receberá tratamento e estima-se que se recuperará em apenas alguns dias.

Foto: Matias Delacroix/MSF

MSF trabalha na Venezuela desde 2015 e trabalha para reduzir a malária nos estados de Anzoátegui, Bolívar e Sucre. Durante o primeiro semestre de 2021, equipes de MSF nessas três regiões realizaram 80.631 testes de malária, diagnosticaram e trataram 14.858 pessoas com a doença e distribuíram 23 mil mosquiteiros para várias comunidades. Atualmente, MSF tem operações no Amazonas, Anzoátegui, Bolívar, Miranda, Sucre, Táchira e Distrito Capital. MSF é uma organização médico-humanitária imparcial, neutra e independente que trabalha em mais de 70 países. De seus fundos, quase 100% vêm de doações privadas em todo o mundo.

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