Você está aqui

Vacinas e tratamentos contra Ebola precisam ser desenvolvidos urgentemente

24/10/2014
Essa foi a mensagem de MSF aos participantes de reunião da OMS; testes seriam realizados primeiro com os profissionais que trabalham na linha de frente do combate ao surto na África Ocidental

Após uma reunião de alto nível convocada em 23 de outubro pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o acesso e o financiamento para as vacinas de Ebola, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse que os planos para desenvolver vacinas e tratamentos para os profissionais que atuam na linha de frente do combate ao Ebola devem ser rapidamente implementados. Significativos investimentos e incentivos são necessários agora para acelerar esses passos.   

“A mensagem que ouvimos da OMS, de que as pessoas que estão trabalhando no combate à epidemia serão as primeiras a serem testadas com as vacinas e os tratamentos de Ebola, é exatamente o que precisávamos ouvir”, disse o Dr. Bertrand Draguez, diretor médico de MSF. “Agora, é necessária uma ação urgente para que essas promessas sejam concretizadas na África Ocidental o mais rápido possível. Isso precisa ser distribuído de forma massiva para a população em geral, depois que sua eficácia for comprovada.”

“É fundamental que as pessoas dos Ministérios da Saúde, agências de ajuda humanitária e comunidades que estão assumindo a responsabilidade da epidemia e que asseguram o acesso aos cuidados de saúde sejam protegidos”, acrescentou o Dr. Bertrand Draguez. “Recursos em todos os lugares estão sendo estendidos até ao ponto de quase ruptura; todos estão no limite, mas é extremamente difícil para as pessoas que tratam e trabalham na resposta ao vírus fazer isso sem qualquer rede de segurança. Tratamentos e vacinas seguros e eficazes poderiam oferecer exatamente isso.”

Os trabalhadores que deveriam ser priorizados para testar as vacinas incluem profissionais de saúde, agentes comunitários e pessoas que sustentam a resposta ao Ebola, como agentes de higiene, motoristas de ambulância, promotores de saúde e os encarregados de rastrear pessoas com suspeita de infecção e dos funerais.

O potencial aumento da taxa de sobrevivência com os tratamentos poderia reduzir o número de novas infecções, já que mais pessoas procurariam por ajuda. Ferramentas de diagnóstico mais rápidas e seguras permitirão uma rápida triagem dos pacientes, o que possibilitaria uma gestão melhor e mais segura daqueles que necessitam de tratamento urgente para outras doenças.
As equipes médicas que estão prestando cuidados a outras doenças além do Ebola também devem ser priorizadas para receber os testes das vacinas.

A reunião da OMS em Genebra, presidida pela diretora-geral da organização, Dra. Margaret Chan, reuniu representantes de Estados de alto nível, indústria, doadores, organizações que trabalham na resposta ao Ebola, médicos e pesquisadores. Os temas abordados foram estudos clínicos detalhados e implementação, vias regulamentares e financiamento, além de incentivo para novas vacinas.

Representantes de MSF lamentaram a falta de decisões concretas e alertaram aos delegados que eles não ficarão livres de suas responsabilidades. Enquanto as promessas de investimentos feitas no passadas são cumpridas lentamente – apesar de precisarem ser urgentemente concretizadas –, agora é fundamental que sejam desenvolvidos tratamentos e vacinas, que podem ser o ponto de ruptura desta epidemia, e prevenir futuros surtos.

“Este surto é muito imprevisível; nós não sabemos quando isso vai acabar, se novas áreas podem ser afetadas ou se haverá novos surtos. Vacinas e tratamentos, então, são fundamentais para cessar esta epidemia e garantir que futuros surtos sejam prevenidos e controlados”, disse o Dr. Manica Balasegaram, diretor executivo da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF. “Precisamos que os Estados e as indústrias assumam suas responsabilidades; a indústria precisa arriscar, mas os governos precisam ajudar a incentivá-los e minimizar os riscos.”

O investimento em larga escala em vacinas, medicamentos e diagnósticos é vital e recursos suficientes para testes clínicos e acesso pós-teste devem ser mobilizados pelos financiadores agora. Os dados científicos gerados pelos testes clínicos de cada produto devem ser publicados em tempo real, e o banco de amostras deve ser disponibilizado para facilitar a investigação aberta.

“Incentivos apropriados que dão à indústria um motivo para desenvolver essas ferramentas vitais para combater o Ebola são necessários agora – Estados e doadores devem estar alinhados para ajudar”, disse Dra. Balasegaram. “Nós precisamos que pesquisadores e desenvolvedores conduzam testes clínicos em paralelo à ampliação de abastecimento de suprimentos.”